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29.3.14

Um poema de João Apolinário

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 Ao vigésimo nono dia do mês de março, recordamos João Apolinário, de quem escolhemos o poema "Da escrita".

Da poesia    
faço
uma raiz
que gera
a haste
oculta
da palavra
em flor.

Abro as portas
desta melancolia
fechada no poema
por nascer
e sinto essa magia
suprema
de o escrever.


Quanto ao poema dos alunos, selecionámos um do João Ferreira, aluno da T.6 da E.B. de São Domingos, escrito após leitura do poema "Mistérios" de Matilde Rosa Araújo.
Para o ilustrar, escolhemos uma pintura de Vicent Van Gogh, "Jardim de hortas" (1888).

O hortelão
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O hortelão veio da horta
Chegou à noite
Depois de muito trabalhar
Todo encharcado foi para casa.

Veio sozinho
Sem ninguém para o ajudar
Trouxe legumes para comer
E também para os vender.

As estrelas à noite
Brilham sem parar
E o hortelão para animar
Passa os dias a cantar.


27.3.14

Recordando Almeida Garrett

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Ao vigésimo sétimo dia do mês de março, recordamos Almeida Garrett.

Folheámos o livro Folhas Caídas e escolhemos o poema "A um Amigo"

A um Amigo

Fiel ao costume antigo,
Trago ao meu jovem amigo
Versos próprios deste dia.
E que de os ver tão singelos,
Tão simples como eu, não ria:
Qualquer os fará mais belos,
Ninguém tão d'alma os faria.

 Que sobre a flor dos seus anos
Soprem tarde os desenganos;
Que em torno os bafeje amor,
Amor da esposa querida,
Prolongando a doce vida
Fruto que suceda à flor.

Recebe este voto, amigo,
Que eu, fiel ao uso antigo,
Quis trazer-te neste dia
Em poucos versos singelos.
Quaquer os fará mais belos,
Ninguém tão d'alma os faria.



Quanto ao poema dos alunos, selecionámos um da Pilar Monteiro, aluna da T.5 da E.B. de São Domingos.
Para o ilustrar escolhemos uma pintura de Vicent Van Gogh.
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Semente

Uma planta nasceu
E muito cresceu
Será que ao céu vai chegar?
E as estrelas cumprimentar?
Isso não sei!
Só sei que bem vai cheirar.

22.3.14

Os Gemidos da Árvore, de Gomes Leal

O Dia Mundial da Árvore e da Floresta celebra-se no dia 21 de março, como forma de sensibilização da população para a importância da preservação das árvores.
Ligando esta comemoração à poesia, fomos em busca de poetas que se tenham inspirado neste tema.
Sobre Gomes Leal recaiu a nossa escolha.



Os gemidos da árvore

A árvore em pé, no meio das planuras,
cheia de riso e flor, verduras, passarinhos,
- Ela é o guarda-sol dos frutos e dos ninhos.
- É o tecto nupcial das conversadas puras.

O humilde cavador que foiça as ervas duras
dos broncos  matagais e escalrachos, maninhos
sob ela faz o seu leito, ao cruzar os caminhos,
torrado da soalheira ou nas sombras escuras.

Contudo, o Homem ingrato esquece a Árvore amiga
e prefere a cidade e a balbúrdia inimiga,
onde a alma corrompe em orgias triviais.

Mas a árvore lá fica, a espreitar nas ramadas
como a mãe lacriminosa, a olhar sempre as estradas
- a ver se o filho volta à cabana dos pais!


Quanto ao poema  dos alunos, selecionámos um da Débora Santos, aluna da T.6 da E.B. de São Domingos.
Para o ilustrar, escolhemos uma aguarela de Vicent Van Gogh, uma das primeiras deste pintor holandês.

A Árvore

Meu amigo
Vem comigo
Ver a árvore desprezada
Que está toda magoada!
Pobre árvore ali sozinha
Ainda é pequenininha
A pequena árvore passa por ignorante
Mas na verdade é muito importante.

19.3.14

Um poema de Jorge Reis-Sá


 Atendendo à data festiva, Dia do Pai, selecionámos um poema, alusivo ao dia, de Jorge Reis-Sá.



Pai, a minha sombra és tu

A cadeira está vazia, um corpo ausente
não aquece a madeira que lhe dá forma

e não ouço o recado que me quiseste dar
nem a tua voz forte que grita meninos
na hora de acordar
ouço o teu abraço, no corredor em gaia
e os olhos molhados pela inusitada despedida

o sol foge
mas o crepúsculo desenha a sombra que
tenho colado aos pés
ou o espelho, coberto com a tua face

pai, digo-te
a minha sombra és tu.

Neste dia especial, Dia do Pai, escolhemos vários poemas de alguns alunos da turma 5 da E.B. de São Domingos.
Como ilustração dos poemas, optámos por uma pintura de Vicent Van Gogh.

Pai

Meu querido pai
és o melhor do mundo
não quero sentir a dor
quero ir para os teus braços
para me embalares,
para me adorneceres
e leres uma história para mim.
Adoro-te, pai, nunca me abandones!
                                             Madalena


O meu pai

O meu pai é trabalhador,
mas  às vezes falador.

O meu pai veste-se bem
para ir a Belém.

O meu pai está sempre a gritar
para o Benfica ganhar.

O meu pai estuda comigo
porque é muito meu amigo.

O meu pai é inteligente
porque tem uma grande mente.

O meu pai é comilão
e também brincalhão.

Este é o meu pai, sempre amigo
Porque anda sempre comigo.
                                         Martim





Um dia especial

Neste dia especial,
estava atarefado a trabalhar
quando espreitei à janela
encontrei uma capela
e lá me fui deitar a pensar.
Saí da capela
e à minha mãe fui perguntar:
- Que dia é hoje?
A mãe respondeu:
- É Dia do Pai
e a ele um presente tens de dar.
Para a minha secretária, fui trabalhar
para um presente arranjar.
Fiz um mealheiro,
ficou de espantar.
Este presente que lhe estou a dar
é para o estimar.
                                           Rafael V.                     

17.3.14

Recordando Manuel da Fonseca

Manuel da Fonseca, o poeta que escolhemos para hoje, com o seu poema


Antes que seja tarde


Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.

Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.

Poderão ler mais poemas aqui.

Cipreste contra o céu estrelado
Quanto ao poema dos alunos, optámos por um da autoria do Daniel, aluno da T.6 da E.B. de São Domingos. Para o ilustrar, selecionámos uma pintura de Van Gogh.

Boa noite

O meu jantar estava bom...
Já vesti o pijama...
Também os dentes lavei
E já ouvi: chichi, cama!

A lua já está no céu
Redonda, branca e brilhante.
E as estrelas estão espalhadas
como as sardas de um gigante.



11.3.14

Recordando Sebastião da Gama

Hoje vamos "dar voz" a Sebastião da Gama lendo o poema "O Sonho".

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? não chegamos?

- Partimos. Vamos. Somos.




Quanto ao poema do aluno, selecionámos o da Margarida Rufino, que foi construído após a leitura do poema "Mistérios" de Matilde Rosa Araújo. Para o ilustrar, escolhemos uma pintura de Van Gogh.

Mistérios
Oliveiras com céu amarelo e sol

O motorista chegou
logo pela manhã.
Trouxe mercadoria
que conduzia
com toda a alegria.

Saltou do camião
depois de ter posto
o pé no travão.
Olhou para o Sol:
- Bom dia, meu farol!
- Adeus, estrelinhas
minhas amiguinhas.