Mostrar mensagens com a etiqueta poemas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poemas. Mostrar todas as mensagens

19.11.17

Oficina de Escrita - Momento de Poesia

A Oficina de Escrita da última terça-feira foi dedicada à poesia.
Por proposta do professor Rui Gonçalves, os alunos construíram um poema livremente.
Escrever sem tema, sem título, sem palavras nem dicas, apenas uma folha branca e material de escrita...
Este conjunto de condições seria um obstáculo para os que não gostam de escrever, mas para os jovens que integram esta oficina bastou-lhes uns breves minutos de reflexão para que as ideias surgissem...
Ora leiam e apreciem...

Lutar

Eu luto para conseguir
os meus objetivos atingir.
E quando falo em lutar
Falo em estudar
e em tudo o que aparecer
ao longo da minha vida.

Luto pela paz, luto pelo amor
Faço o que for preciso.
O que eu não quero
é que exista a dor.

Falo e falo muito, isso é verdade,
mas quando se trata de ajudar
Sou sempre o primeiro a tentar.
                               Rafael Vieira



Chamem por mim

Quando os seres humanos
virem que estão errados.
E, por fim, entendam
as consequências dos seus pecados.
Chamem por mim.

Quando as árvores deixarem
de morrer constantemente
e a paz reinar eternamente.
Chamem por mim.

Quando, neste planeta,
houver uma respeitada lei
e deixar de haver alguém
que de todos se acha rei
chamem por mim
E ao mundo os olhos abrirei.
                              Rafael Raimundo



Sementinhas

Num lindo jardim, repousava
uma flor com grande beldade
que num dia de sol fez nascer
uma enorme e eterna amizade.

Criou duas lindas sementinhas
que brincavam nas suas pétalas
e contavam segredos uma à outra
por baixo das suas sépalas.

Mas um dia o vento soprou
com uma força inimaginável
separando as duas sementes
com uma dor incalculável.

Longos anos se passaram
e com eles mudaram as sementes.
Agora já eram plantas, que sem saber,
da mesma terra eram residentes.
                                   Diana Barreto


E assim, ao fim de um dia de aulas, estes jovens aproveitam o momento para mostrar o seu enorme talento. Muitos parabéns! 
É uma honra ter a vossa companhia, sempre cheia de magia!                   




23.6.14

O Fala-Barato, um poema de Rafael Raimundo

"O Fala-Barato" é um divertido poema de Rafael Raimundo, aluno da T.5 da E.B. de São Domingos.

O Fala-Barato

Gostava de parar com as dores
e ir para os Açores.
Mas não sou brasileiro
Não tenho muito dinheiro.
Sou apenas um rapaz
com um lindo cabaz.
Hei de crescer
e aí um carro vou ter
uma linda vivenda
e uma grande fazenda.
Eu também sou muito chato
Pois sou um fala-barato!


Uma bola feliz, um poema do João Ferreira

Ilustração de João Ferreira
O João Ferreira, aluno da T. 6 da E.B. de São Domingos, imaginou-se uma bola de futebol e construiu este lindo poema.

Sou uma bola de futebol

Estou farta, farta, farta!
Sempre, sempre
a ser chutada.
Sempre, sempre
a ser maltratada.

Passo o dia aos trambolhões
A receber biqueiradas.
Preciso de proteções
para me proteger
de tantas trapalhadas.

Mas, apesar de tudo
Sou uma bola feliz.


17.6.14

Mais uns poemas...

O Diogo Cardoso, aluno da T. 6 da E.B. de São Domingos imaginou-se uma lâmpada.
Construiu um poema e a respetiva ilustração.

Sou uma lâmpada

Ai! Estou fundida!
Quanto tempo tenho?
Ai! Ai! Ai!
Quando me vão curar?
Vá lá! Têm de me salvar!
Onde estão?
Não me podem abandonar.
Estou colada a uma parede.
Bolas! Onde está o Alfredo?
Só vejo meninos com caneta.
Donde veio esta borboleta?
Ai! A minha vida é um problema!


Quanto ao Rodrigo Rodrigues, aluno da T.5 da E.B. de São Domingos imaginou-se uma espátula.
Assim inspirado, escreveu estes versos e ilustrou-os.

Sou uma espátula

Sou uma espátula
Estou farta
A gordura tocar
Hamburguer ter de fazer
Sem os poder comer.

30.5.14

O entusiasmo pela poesia continua...

O entusiasmo pela poesia continua entre os alunos das turmas 5 e 6 da E.B. de São Domingos, pelo que me deram mais uns poemas para publicação.

Sou um espantalho

Sou um espantalho
farto de espantar.
Os pássaros gosto
de ouvir cantar.

Sou um espantalho
completamente sozinho.
Não posso os pássaros deixar
Serem meus amigos.

Se eu ganhasse pés e pernas
Não estaria neste mundo sozinho
Pois gostaria de amigos ter
Para com eles conviver.

Poema e ilustração da autoria de Micaela , aluna da T.5 da E.B. de São Domingos


Sou uma borboleta



Coberta de flores
amarelo, laranja,
vermelho, roxo,
violeta, azul
e verde.
Tão bela!

Sou uma borboleta
Sou voadora,
uma bola de mil cores.

Uma borboleta
cheia de paixão
que não quer
aterrar no chão.


Poema e ilustração de Madalena, aluna da T.5 da E.B. de São Domingos


26.5.14

Mais uns poemas...

Além dos poemas apresentados ontem, aqui estão mais alguns feitos no âmbito do mesmo desafio.

Sou uma caneta

Sou uma caneta
Escrevo, escrevo, escrevo
Não me canso de escrever
A azul ou a preto.

Aprendo os numerais,
palavras e muito mais.
Não me canso de escrever
Quando estou a aprender.

Poema e ilustração de Beatriz Alves e Margarida Rufino, alunas da T.6 da E.B. de São Domingos


Sou um avental

Estou farto de ser um avental
De levar com as manchas
As manchas, são o meu mal.


Fico muito doente
Fico muito zangado
Pois sou maltratado
quando tenho de ser lavado.



Poema e ilustração de Tiago Rosa, aluno da T.6 da E.B. de São Domingos

25.5.14

Maria Alberta Menéres


Maria Alberta Menéres formou-se em Ciências Histórico - Filosóficas e esteve ligada ao ensino entre 1965 e 1973. Tornou-se conhecida como autora de literatura infantil e juvenil.
Entre os muitos livros que escreveu, escolhi O Poeta faz-se aos 10 anos para a minha aula de apoio educativo.
"Hoje vou contar-vos uma história".
"História" é uma palavra mágica, pelo que o burburinho inicial da aula foi reduzindo com uns "ppsssiu, a professora vai contar uma história" à mistura.
Comecei a ler...
"Falar de poesia a crianças. Mas como? Dizer o que é poesia? Dar uma definição rigorosa ou sugestiva?
(...)
Eu gosto de lhes dizer: - Habituem-se a escrever, sem vos ser encomendado! Comecem a olhar o que vos rodeia, a comentar o que veem, a dar a vossa opinião (...)
- Olha lá, tu dizes-me que achas que as coisas não têm nada para dizer, não é? Pois então, experimenta imaginar-te essas coisas quer dizer, uma coisa qualquer, e fala como se fosse ela a falar! Talvez então descubras se ela tem qualquer coisa para dizer, que tu de fora não consegues descobrir..."

Parei a leitura e coloquei este desafio à turma. Pediram-me para trabalhar em conjunto com outro colega.

Aqui estão alguns poemas, acompanhados da respetiva ilustração, resultantes deste desafio.

Uma Bola

Eu sou uma bola
que rola e rebola
Só me querem chutar
sem parar.

Estou cansada
de tanto rebolar.
E, às vezes, até
me fazem enjoar.

Sou uma bola
que rola sem parar
e às vezes até
me fazem chorar.


Poema e ilustração de Duarte Rufino e Maria Inês Laureano, alunos da T.6 de E.B. de São Domingos



                                                       A Pandeireta

Sou pandeireta
pandeireta sou.
Estou sempre a tocar
não consigo parar.
 
Quando estava nas mãos
da menina pequenina
ela batia e batia
e eu sempre sorria.

Noutro dia me batia
                                                                                    outra vez e outra vez
                                                                                    até que me fartei
                                                                                    e nunca mais sonhei.

Poema e ilustração de Carlota Rodrigues e Margarida Garrido, alunas da T.6 da E.B. de São Domingos.




O Coração

Sou pequeno e vermelhinho
Mais gasto do que um adivinho
às vezes estou zangado
e também fico amuado.

Trabalho até mais não
E é sempre o habitual
quando o dono se porta mal
a recompensa é um estaladão.

Mas hoje conheci
um coração amigo
que quer estar sempre comigo.

A sua alegria enche-me profundamente
E está em harmonia constantemente.
(...)
Os versos que faltam são segredo.

Poema e ilustração de Débora Santos e Mariana Marques, alunas da T.6 da E.B. de São Domingos.

26.3.14

Um poema de Maria Alberta Menéres

Ao vigésimo sexto dia de março, escolhemos um poema de Maria Alberta Menéres, retirado do livro Conversas com versos.


As Pedras

As pedras falam? pois falam
mas não à nossa maneira,
que todas as coisas sabem
uma história que não calam.

Debaixo dos nossos pés
ou dentro da nossa mão
O que pensarão de nós?
O que de nós pensarão?

As pedras cantam nos lagos
choram no meio da rua
tremem de frio e de medo
quando a noite é fria e escura.

Riem nos muros ao sol,
no fundo do mar se esquecem.
Umas partem como aves
e nem mais tarde regressam.

Brilham quando a chuva cai.
Vestem-se de musgo verde
em casa velha ou em fonte
que saiba matar a sede.

Foi de duas pedras duras
que a faísca rebentou:
uma germinou em flor
e outra nos céus voou.

As pedras falam? pois falam.
Só as entende quem quer,
que todas as coisas têm
uma coisa para dizer.


Quanto ao poema dos alunos, selecionámos um da Maria Pilar Monteiro, aluna da T.5 da EB de São Domingos.
Este poema foi construído, após observação do quadro "Noturno" de Joan Miró.



Um dia de tempestade
Uma coisa chegou.
A tempestade parou.
De lá coisas saíram
Coisas estranhas sei lá.
Não vamos gritar,
Porque medo não temos
Por coisas novas chegar!
Vamos dizer sim à felicidade.

25.3.14

Um poema de José Luís Peixoto



Hoje, dia 25 de março, escolhemos um poema de José Luís Peixoto, retirado do livro A Casa, a Escuridão.
Para melhor conhecerem este autor, visitem o seu site.



Palavras para a minha mãe


Mãe, tenho pena, esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

Pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

Às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

Lê isto: mãe, amo-te.

Eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.

Quanto ao poema dos alunos, selecionámos um do Bruno Viegas, aluno da T.6 da E.B. de São Domingos. O poema foi escrito após audição do conto "O Gigante Egoísta" de Oscar Wilde.
Para o ilustrar escolhemos uma pintura de Renoir.


Eu gostava de ser gigante
para nas nuvens tocar
e as fazer chorar
e as plantas ver florescer.

Mas também dar
a volta ao mundo
a correr ou a andar
a conhecer terras sem parar.

23.3.14

Recordando António Gedeão...


Ao vigésimo terceiro dia do mês de março, escolhemos um poema de António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho.

Lágrima de preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.


Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em caso que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

Também vos deixamos este poema cantado por Manuel Freire.






Quanto ao poema dos alunos, selecionámos um da Madalena Marques, aluna da T.5 da E.B. de São Domingos.
Este poema foi construído a partir das sensações transmitidas pela pintura "O Jardim" de Joan Miró.

O Desentendimento no Jardim


Os papás a discutir
Enquanto o bebé está a dormir.
Lá fora o cão a brincar
E o gato a miar.
O canário de castigo
Com o seu amigo.
O arco-íris a aparecer
E as crianças a ver
Apareceu um feiticeiro
A fazer bolas do amor
Que atingiu os papás
E pararam de discutir.




22.3.14

Os Gemidos da Árvore, de Gomes Leal

O Dia Mundial da Árvore e da Floresta celebra-se no dia 21 de março, como forma de sensibilização da população para a importância da preservação das árvores.
Ligando esta comemoração à poesia, fomos em busca de poetas que se tenham inspirado neste tema.
Sobre Gomes Leal recaiu a nossa escolha.



Os gemidos da árvore

A árvore em pé, no meio das planuras,
cheia de riso e flor, verduras, passarinhos,
- Ela é o guarda-sol dos frutos e dos ninhos.
- É o tecto nupcial das conversadas puras.

O humilde cavador que foiça as ervas duras
dos broncos  matagais e escalrachos, maninhos
sob ela faz o seu leito, ao cruzar os caminhos,
torrado da soalheira ou nas sombras escuras.

Contudo, o Homem ingrato esquece a Árvore amiga
e prefere a cidade e a balbúrdia inimiga,
onde a alma corrompe em orgias triviais.

Mas a árvore lá fica, a espreitar nas ramadas
como a mãe lacriminosa, a olhar sempre as estradas
- a ver se o filho volta à cabana dos pais!


Quanto ao poema  dos alunos, selecionámos um da Débora Santos, aluna da T.6 da E.B. de São Domingos.
Para o ilustrar, escolhemos uma aguarela de Vicent Van Gogh, uma das primeiras deste pintor holandês.

A Árvore

Meu amigo
Vem comigo
Ver a árvore desprezada
Que está toda magoada!
Pobre árvore ali sozinha
Ainda é pequenininha
A pequena árvore passa por ignorante
Mas na verdade é muito importante.

21.3.14

A poesia de Luís Vaz de Camões

Hoje, 21 de março, é o Dia Mundial da Poesia, pelo que escolhemos um poema de Luís de Camões, do livro Sonetos.


 Amor é um fogo que arde sem se ver


Amor é um fogo que arde sem se ver
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se e contente;
É um cuidar que ganha sem se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode ser favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Quanto ao poema dos alunos, ainda temos alguns dedicados ao Pai. Para os ilustrarmos, escolhemos uma pintura de Camille Pissarro.


 
Pai

Américo se chama
meu pai
que quando vai
para a cama
nem diz um ai.

És o melhor do mundo
Sinto por ti
um sentimento profundo

Felicidades para ti
É o que te desejo.
                   Mª Pilar Monteiro 
            T.5 da E.B. de São Domingos

                                                                                             Pai

                                                                                            Querido Pai
                                                                                            És o meu melhor amigo
                                                                                            E sonho contigo.

                                                                                            Eu vou brincar
                                                                                            e saltar.
                                                                                            Contigo
                                                                                            aprendo a sonhar
                                                                                            Contigo vou viajar.
                                                                                                           Inês Paulino
                                                                                      T.5 da E.B. de São Domingos

20.3.14

Um poema de João de Deus



Hoje escolhemos um poema de João de Deus, do livro Campo de Flores.





Parece-me que sim...


Parece-me...não sei que me parece...
que me par'cia ha pouco, que per'cia;
Não sei, se a illusão des'ppareceria:
Vejamos se ella agora reapparece.

Não costuma par'cer ao que parece
Que perece, senão que per'ceria:
Parece-me isto a mim, e par'ceria
A qualquer outro: a ti que te parece?


Lá vem a ilusão reapparecendo!...
Custa a par'cer-me agora que pereço:
Mas...com certeza vou...cá vou per'cendo!...


Devo par'cer sem côr? ...pois não pareço?!
Já me par'ceu o que me está par'cendo-
Talvez eu não pereça...não pereço.




Em relação ao poema dos alunos, temos mais alguns dedicados ao pai.
Para os ilustrar uma pintura de Pierre-Auguste Renoir.

O meu pai

O meu pai é amigável
limpa o seu carro
para ficar impecável.

O meu pai ralha
mas é para o meu bem
porque também não sou perfeita
nem fico direita.

Gosto muito do meu pai
ele é carinhoso e bondoso
gasta o meu perfume
para ficar bem cheiroso.

Este presente
é para o meu pai alegrar
o seu coração de encantar.
                    Micaela, T.5 de E.B. de São Domingos

Pai

Pai, eu adoro brincar
e contigo jogar.
Gosto quando me levas
ao jardim
a comer um pudim.
O meu pai canta
e eu bebo fanta.
Espero que gostes
muito de mim,
como eu gosto de ti!!!!
                        Maria Leonor, T.5 da E.B. de São Domingos




19.3.14

Um poema de Jorge Reis-Sá


 Atendendo à data festiva, Dia do Pai, selecionámos um poema, alusivo ao dia, de Jorge Reis-Sá.



Pai, a minha sombra és tu

A cadeira está vazia, um corpo ausente
não aquece a madeira que lhe dá forma

e não ouço o recado que me quiseste dar
nem a tua voz forte que grita meninos
na hora de acordar
ouço o teu abraço, no corredor em gaia
e os olhos molhados pela inusitada despedida

o sol foge
mas o crepúsculo desenha a sombra que
tenho colado aos pés
ou o espelho, coberto com a tua face

pai, digo-te
a minha sombra és tu.

Neste dia especial, Dia do Pai, escolhemos vários poemas de alguns alunos da turma 5 da E.B. de São Domingos.
Como ilustração dos poemas, optámos por uma pintura de Vicent Van Gogh.

Pai

Meu querido pai
és o melhor do mundo
não quero sentir a dor
quero ir para os teus braços
para me embalares,
para me adorneceres
e leres uma história para mim.
Adoro-te, pai, nunca me abandones!
                                             Madalena


O meu pai

O meu pai é trabalhador,
mas  às vezes falador.

O meu pai veste-se bem
para ir a Belém.

O meu pai está sempre a gritar
para o Benfica ganhar.

O meu pai estuda comigo
porque é muito meu amigo.

O meu pai é inteligente
porque tem uma grande mente.

O meu pai é comilão
e também brincalhão.

Este é o meu pai, sempre amigo
Porque anda sempre comigo.
                                         Martim





Um dia especial

Neste dia especial,
estava atarefado a trabalhar
quando espreitei à janela
encontrei uma capela
e lá me fui deitar a pensar.
Saí da capela
e à minha mãe fui perguntar:
- Que dia é hoje?
A mãe respondeu:
- É Dia do Pai
e a ele um presente tens de dar.
Para a minha secretária, fui trabalhar
para um presente arranjar.
Fiz um mealheiro,
ficou de espantar.
Este presente que lhe estou a dar
é para o estimar.
                                           Rafael V.                     

18.3.14

Recordando Rosa Lobato de Faria


A nossa escolha de hoje recaiu sobre Rosa Lobato de Faria e o livro selecionado é ABC das flores e dos frutos em rima infantil.


Laranja


Era uma vez três meninas
debaixo dum laranjal.
Uma bordava, outra lia,
a mais pequena dormia
e sonhava que fazia
um sumo sensacional.

 
Quando abriu os olhos claros
olhou para cima e escutou
uma laranja dourada
dizendo: - Pega numa escada
colhe-me a mim que sou fada
vê o sumo que te dou.

A menina foi-se a elas,
meteu-as numa cestinha.
Cortou umas às rodelas,
deixou outras na cozinha,
com as outras fez um sumo,
amarelinho e gostoso
e cheio de vitamina.

As laranjas serão fadas
ou foi sonho de menina?


Quanto ao poema dos alunos, selecionámos um poema feito por três alunas da T.6 da E.B. de São Domingos, a Beatriz, a Carlota e a Débora.
Como ilustração do poema, escolhemos uma pintura de Cândido Portinari.

A minha Professora

A minha professora
é muito inteligente.
Dá as notas
sempre à tangente.

Os alunos portam-se mal
E a professora dá o total
Dos castigos aplicados
aos alunos muito amados.

A professora gosta de dar
as suas aulas a cantar
para aos alunos agradar
sempre, sempre a rimar.



17.3.14

Recordando Manuel da Fonseca

Manuel da Fonseca, o poeta que escolhemos para hoje, com o seu poema


Antes que seja tarde


Amigo,
tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!
Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.

Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.
Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.

Poderão ler mais poemas aqui.

Cipreste contra o céu estrelado
Quanto ao poema dos alunos, optámos por um da autoria do Daniel, aluno da T.6 da E.B. de São Domingos. Para o ilustrar, selecionámos uma pintura de Van Gogh.

Boa noite

O meu jantar estava bom...
Já vesti o pijama...
Também os dentes lavei
E já ouvi: chichi, cama!

A lua já está no céu
Redonda, branca e brilhante.
E as estrelas estão espalhadas
como as sardas de um gigante.



15.3.14

Este livro que vos deixo, António Aleixo

Ao décimo quinto dia do mês de Março, trazemos a singularidade da poesia de António Aleixo.

Este Livro que vos deixo... abrimos, folheámos, lemos e recordámos a espontaneidade das suas quadras.

Aqui vos deixamos algumas...

Quadras 

Peço às altas competências
perdão, porque mal sei ler,
p'ra aquelas deficiências
que os meus versos possam ter.

Quando não tenhas à mão
outro livro mais distinto,
lê estes versos que são
filhos das mágoas que sinto.

Julgam-me mui sabedor;
e é tam grande o meu saber
que desconheço o valor
das quadras que sei fazer!

Compreendo que envelheci
e que já daqui não posso,
como não passam daqui
as pobres quadras que faço.

(...)

Se pedir, peço cantando,
sou mais atendido assim;
porque, se pedir chorando,
ninguém tem pena de mim.

(...)

Após um dia tristonho,
de mágoas e agonias
vem outro alegre e risonho:
são assim todos os dias.

(...)


Quanto ao poema dos alunos, a nossa escolha recaiu sobre o poema "Eu fui egoísta", escrito pela Micaela, aluna da T.5 da EB de São Domingos, após audição do conto "O gigante  egoísta" de Oscar Wilde.
Para o ilustrar selecionámos uma pintura de Paul Klee.

Eu fui egoísta

Eu fui egoísta
quando não quis fazer
a natureza florescer.

Eu fui egoísta quando
não quis emprestar
a brincadeira assim
teve de acabar.

Eu fui egoísta quando
não deixei
o meu irmão jogar.
Assim, a amizade
esteve quase a findar.



14.3.14

As fadas, de Antero de Quental


 Em busca de mais um poema, detivemo-nos nas páginas do livro As fadas de Antero de Quental.


 As Fadas

As fadas...eu creio nelas!
Umas são moças e belas,
Outras, velhas de pasmar...
Umas vivem nos rochedos,
Outras, pelos arvoredos,
Outras, à beira do mar...

Algumas em fonte fria
Escondem-se enquanto é dia,
Saem só ao escurecer...
Outras, debaixo da terra,
Nas grutas verdes da serra,
É que se vão esconder...

O vestir...são tais riquezas,
Que rainhas, nem princesas
Nenhuma assim se vestiu!
Porque as riquezas das fadas
são sabidas, celebradas
Por toda a gente que as viu...

(...)



Quanto ao poema do aluno, escolhemos o do Valério José, aluno do 5º G da EB de Alexandre Herculano.
Para o ilustrar, uma pintura de Claude Monet.

O Mar

Acordo nas manhãs claras de verão
Vou para o mar
Nadar
Vejo um barco a passar
à beira mar.

A nadar nas ondas do mar
o verão e o calor a apertar
vou comer um gelado
para refrescar.




13.3.14

Recordando José Gomes Ferreira

Mais um dia do mês de março, pelo que folheámos mais alguns livros de poesia. Entre os vários poemas do livro 101 Poetas - Iniciação à poesia em língua portuguesa, organizado por Inês Pupo, escolhemos um poema de José Gomes Ferreira.

Chove...

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir na chuva que cai do céu
uma melodia de silência
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.



Quanto ao poema dos que ainda aprendem a brincar com as palavras, selecionámos um do Rafael Vieira.
Para o ilustrar, escolhemos uma pintura de Romero Britto.

Noite escura

Esta noite, a primeira noite do ano
começou a escurecer e o tempo a arrefecer.
Futebol
Com as nuvens a aparecer
e a Lua cheia a desaparecer.

Quando me fui deitar
a minha mana começou a chatear
chatear e mais chatear.

Tive de chamar o meu pai
para a calar.
E a minha mãe a gritar:
Rafael! Rafael!
E eu a ralhar:
Já vou! Já vou!

O meu pai sempre a gritar
Vai Sporting! Tens de ganhar!
Agora, este poema terminou.



12.3.14

Um poema de José Saramago

Ao décimo segundo dia do mês de março, fomos em busca de mais um poema...
Aqui vos deixamos "Jogo do Lenço" da autoria de José Saramago.

Jogo do Lenço

Trago no bolso do peito
Um lenço de seda fina,
Dobrado de certo jeito.
Não sei quem tanto lhe ensina
Que quanto faz é bem feito.

Acena nas despedidas,
Quando a voz já lá não chega
Por distâncias desmedidas.
Depois, no bolso aconchega
As saudades permitidas.

Também o suor salgado,
Às vezes, enxugo a medo,
Que o lenço é mal empregado.
E quando me feri um dedo,
Com ele o trouxe ligado.

Nunca mais chegava ao fim
Se as graças todas dissesse
Deste meu lenço e de mim,
Mas uma coisa acontece
De que não sei porque sim:

Quando os meus olhos molhados
Pedem auxílio do lenço,
São pedidos escusados.
E é bem por isso que penso
Que os meus olhos, se molhados,
Só se enxugam no teu lenço.


)

Quanto ao poema do aluno, selecionámos um poema da Beatriz Alves, aluna da T.6 da E.B. de São Domingos. Este poema foi construído, após audição do conto "O gigante egoísta" de Oscar Wilde.

Eu fui egoísta quando...
Pintura de Donald Zolan

Eu fui egoísta quando estava a brincar
Não deixava ninguém lá estar
Com os meus amigos deixei de conversar
Quando reparei já não estava a gostar.

Eu fui egoísta quando estava a cantar
E não deixei ninguém participar
Logo deixei de brilhar
Vi, então, que estavam todos a chorar.