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20.4.17

"De regresso à tolerância", um conto do Rafael Raimundo e do Rafael Vieira

Um outro conto com que a Escola Alexandre Herculano se fez representar no Concurso "Um conto que contas" foi  o do Rafael Raimundo e do Rafael Vieira. Tal como o da Diana, não foi premiado, contudo é um conto cheio de imaginação que vale a pena ler, apreciar e tirar conclusões.

De regresso à tolerância

Estamos no ano 2026. As crianças iam à escola diariamente, incluindo ao fim de semana.
 A cada dia a transigência dos adultos diminuía para o dobro do dia anterior, ou seja, os adultos começaram a exagerar no poder que tinham sobre as crianças…os adultos estavam a enlouquecer…
Pelas ruas da cidade, vagueava Joaquim Pardal, um rapaz bem constituído, sendo 50% do seu corpo músculo e, por isso, todas as miúdas o admiravam. Apesar do seu ar desleixado, era atraente fisicamente, simpático, inteligente e tolerante. A sua amizade com o Zé Torradas e o seu cão Shibi era mantida sem condicionalismos.
Quem também girogirava pelas ruas da cidade, era o Zé Torradas que era magro e vivia a 1Km do Joaquim. Normalmente vestia roupa azul e azul eram, igualmente, os seus olhos. Apesar da vida não lhe ter sorrido, irradiava simpatia, dava valor ao mais pequenino gesto de amor, amizade e carinho.
Os nossos dois rapazinhos, como bons observadores, resolveram fazer algo para contrariar a situação em que se vivia. Determinaram, então, ir ao Templo das Dúvidas. Contudo, para o conseguirem, precisavam da ajuda de mais alguém, pois era necessário passar por vários obstáculos e resolver vários desafios. Depois de conversarem sobre o assunto, decidiram pedir a colaboração dos amigos Barnabé, Ambrósio e Maria Pardal que aceitaram de imediato o convite. 
Então, o Joaquim Pardal decidiu treinar o raciocínio matemático da equipa que tinha acabado de se constituir e perguntou:
- Quanto é 7-(-4)?
Como ninguém abria a boca e o Joaquim Pardal só ouvia o barulho dos grilos, disse:
- Que tal darem alguma resposta!
Aí, o Barnabé, o Ambrósio e a Maria Pardal começaram a dizer resultados aleatórios.
- E agora, o que podemos fazer? - sussurrou o Joaquim ao Zé.
O Zé pensou, pensou, pensou e teve uma ideia:
- Já sei! – virou-se para os outros e disse-lhes – alguém me pode dizer quanto é 1-3?
Ninguém respondeu.
- Então e se pensarem assim: estão no 1º piso do Shopping. O Shopping tem o piso 1, o piso 0 e mais 2 pisos para baixo que são para estacionar os carros. Vão para o elevador e descem três pisos. Em que piso ficam?
- No último piso! - respondeu o Ambrósio, sem hesitar:
- Não! Ficamos no piso -2! - ripostou a Maria!
Já o Barnabé respondeu:
- O que é um Shopping?!
- Acho que já estão preparados. - disse o Joaquim.
-Não tenho tanta certeza. Este “desafio” era uma forma de perceber a sua capacidade matemática. É uma questão de lógica! - disse o Zé, com ar descontraído - Mas o tempo não espera! Temos de partir!
Apressaram-se a ir para o Templo das Dúvidas, onde tinham de passar pelo Labirinto das Portas. Quando chegaram ao Labirinto, encontraram dois guardas. Pensaram em passar ao lado, mas o Zé reparou que o ângulo de visão dos guardas os impedia de passarem despercebidos. Tinha de pensar noutra ideia, portanto pediu sugestões:
- Entramos pelo esgoto! -disse o Ambrósio.
- Pelo esgoto!? Blhac! Que nojo! O melhor é escondermo-nos atrás daqueles arbustos à medida que avançamos para a porta! - sugeriu a Maria.
-Vamos pegar em metralhadoras e matá-los a todos! - insinuou o Barnabé.
-Vocês têm é de ver menos filmes do Missão Impossível - respondeu o Joaquim, percebendo que qualquer uma das sugestões tinha menos de 25% de chance de dar certo - Vamos pedir, delicadamente, para entrar!
Os guardas estavam equipados com duas lanças nas mãos, o que os fazia muito assustadores. Vestiam roupas parecidas com as da Guarda Suíça. Avançaram lentamente com o rabinho tefe-tefe de medo. Quando chegaram ao pé dos guardas, de imediato lhes barraram o caminho com as lanças, dizendo:
-Ide para a escola! Podeis perder-vos no labirinto!
Era verdade. Eles podiam perder-se no labirinto. Tinham de arranjar uma forma de voltar ao princípio e de chegar ao fim. Então Joaquim teve uma ideia. Assobiou e surgiu um lavrador amoroso. Era Shibi, o cão de Joaquim. Os guardas, com receio, pensaram muito bem e deixaram-nos entrar. Shibi já farejava a saída. Quando chegaram ao fim, vislumbraram o grande Templo das Dúvidas. O Templo era semelhante a um templo grego de ordem dórica. Era constituído por uma mesa posta com seis cadeiras. Também tinha um grande frigorífico no lado esquerdo e um altar no centro. Uma Voz soou:
- Bem-vindos ao Templo das Dúvidas! Podeis colocar três dúvidas!
A voz parecia vir do altar. Era grossa, mas cómica. Estavam todos com os olhos colados no altar. O Shibi era quem estava mais assustado! O Barnabé sem hesitar perguntou:
Há por aqui alguma pizza?
- No frigorífico! - respondeu a Voz.
- Mas quando é que tu te vais calar? - ralhou a Maria.
- Neste momento, ele já está calado. - respondeu novamente a Voz. - Só mais uma dúvida!
-Calma, pessoal! - gritou o Zé - Não falem mais! Senhor da Voz, eu só queria saber como podemos parar a intolerância dos adultos para com as crianças!
- Vou demorar algum tempo a processar a resposta! - afirmou a Voz - Enquanto o faço podem comer a tal pizza!
- Então é assim: - começou o Joaquim- vamos dividir a pizza em doze fatias e assim cada um come duas fatias.
Todos concordaram menos o Shibi que ganiu com um grande “Béu!”.
- Não te preocupes, Shibi! Também estou a contar contigo! - afirmou o Joaquim.
Já tinham acabado de comer, quando, de repente, surgiram no chão cinco camas e uma casota. O grupo percebeu que a Voz do Templo queria que eles dormissem pois já era noite e ele ainda estava atarefado a processar a resposta. Nunca tinham dormido com tanto luxo! No dia seguinte, o Ambrósio acordou com um pequeno barulho que ecoava pelas paredes do templo: “CASA BRANCA! CASA BRANCA”. Ele podia jurar que vira um vulto a fugir do templo. Acordou os outros.
- O que é a “Casa Branca”? É uma casa branca? - interrogou o Barnabé.
- Não! - replicou o Zé - A “Casa Branca” é residência do Presidente dos Estados Unidos da América!
Depois de partirem, entraram num avião clandestinamente e foram para Washington DC.
- Como pensam entrar na Casa Branca sem vos barrarem logo a entrada? - perguntou a Maria - Somos crianças! Os adultos desta “era” não toleram “criancices”.
- Eu tenho um plano! - disse o Joaquim determinado.
Ao longo do demorado percurso do aeroporto até à Casa Branca, algo a que eles já estavam habituados, o Joaquim explicou o plano. De seguida, foi-se embora com o Ambrósio, enquanto o Zé e a Maria foram na direção oposta. Já o Barnabé sentou-se num banco com o Shibi a comer uma sanduíche que tinha roubado de uma outra pessoa.
-Faz a tua parte! Vais conseguir! - afirmou o Zé enquanto caminhava com a Maria.
Então, Maria acercou-se de um guarda e roubou-lhe o distintivo.
Enquanto isso, o Barnabé acabava de comer a sanduíche e o Shibi rosnou. O Barnabé apercebeu-se de quem passava. Não pode ser! - pensava, Não pode ser!
O Ambrósio e o Joaquim voltavam para junto dos amigos, satisfeitos do sucesso da missão até àquele momento. O Zé e a Maria estavam boquiabertos. Eles tinham roubado os walkie-talkies dos polícias, comida e até uma grande quantidade de aparelhos eletrónicos.
- Para que é essa tecnologia toda? - perguntou o Zé.
- Nem vão acreditar! - respondeu o Joaquim.
A Maria pôs o distintivo nas calças meio rotas, pois um décimo das vezes que tentara roubar alguma coisa o roubo tinha dado para o torto. Dirigiu-se a um guarda que protegia a entrada da Casa Branca e disse-lhe mostrando o distintivo:
- Boa-noite! Sou agente da polícia de Washington! Estou a investigar uma ameaça ao Sr. Presidente! Deixe-me entrar!
- Ah! Ah! Ah! Que criança atrevida! Não a posso deixar entrar! - respondeu o guarda, olhando-a desconfiado - É uma criança e nem sequer tem roupa de polícia. Devia ir para a esc…
- Não vê que estou à paisana?! - gritou a Maria interrompendo-o.
O guarda, farto de a tolerar, deixou-a entrar no edifício. Entrou na grande casa com cinco mil e cem metros quadrados de área útil e vinte e um metros de altura.
Noutra parte do edifício, o Joaquim ouviu um “Boa!” vindo do seu walkie-talkie. Era a sua deixa.
- Agora! - gritou para o Ambrósio.
O Ambrósio clicou num botão e o inacreditável aconteceu: a eletricidade foi abaixo num raio de dois quilómetros.
-Zé, tens trinta segundos para entrar na Casa Branca! - avisou o Joaquim.
O Zé entrou pelo sistema de ventilação dentro da Casa Branca. Seguidamente, a luzes acenderam-se.
- Se começarem a disparar aqui dentro tenho chances de sobreviver? - questionou o Zé.
- Bem, - começou o Joaquim - com pistolas a 375m/s…
- E com o alcance de 50 metros! Sim, sim, eu sei! - acrescentou o Zé.
De repente, viram o impossível: o mestre da sabedoria. Ele era o sábio dos sábios. O único adulto que se opunha à intolerância dos adultos. Ele, rezava a lenda, criara o Templo das Dúvidas, mas não o conseguira controlar pois só as crianças têm esse poder. O grupo não sabia porque o reconheciam, como se uma força mística os informara. De repente, uma voz ecoou nas cabeças de todas as pessoas do mundo:
- Boa noite! Quem fala é o MESTRE DA SABEDORIA! Estou aqui para vos comunicar o resultado da minha investigação! Deveis estar a perguntar: “Aqui, onde? Qual investigação? Quem é o MESTRE DA SABEDORIA?” Essas perguntas não interessam agora! Adultos, a vossa intolerância para com as crianças é exagerada e ilimitada, apesar de terem sido as crianças as únicas culpadas, deveis alterar o vosso comportamento! Vós, crianças, tivestes atitudes tão inadequadas e desajustadas que os adultos perderam a paciência! É preciso mudar os comportamentos! A partir de hoje, todas as crianças do mundo se vão portar de forma respeitadora e cumpridora, assim como a intolerância se extinguirá!

E assim foi! A partir daquele momento, tudo mudou! Todos os 2 biliões de crianças do mundo começaram a portar-se 123 vezes melhor! Ninguém se questionou sobre o dono daquela voz que lhes enviara tão bela mensagem, assim como, também, não sabiam que esse tal mestre da sabedoria tinha adotado 5 crianças e 1 cão. E pior ainda, tinha de os tolerar.

Muitos parabéns, Rafael Raimundo e Rafael Vieira!

"Ideias Solidárias", um conto da autoria da Diana Barreto

"Ideias Solidárias" foi o conto escrito pela Diana Barreto para o concurso "Um conto que contas". Soubemos hoje que não foi premiado, contudo é um conto extraordinário que poderia servir de inspiração a muitas pessoas para que tivessem mais ideias solidárias.
Apreciem....

Ideias Solidárias

O senhor Jacinto é um homem possuidor de conhecimentos matemáticos, casas no Havai e noutras terras paradisíacas, quadros de valor de zeros extensos, dezenas de terrenos recém-comprados à espera de serem passados a pente fino e esmagados com edifícios de grande porte onde espera obter sempre valores elevados ao quadrado, animais exóticos de estimação, locais de trabalho com escritórios de área equivalente a uma sala de estar, uma residência numa das mais ricas cidades do mundo, com mordomos, cozinheiros e criados de alta classe, vestidos a rigor a circularem pelos infinitos corredores e dormitórios existentes no seu palacete.
Normalmente veste roupas alegres: um casaco com um padrão de triângulos com botões quadrados, uma camisa branca com círculos cujo perímetro ultrapassa os padrões normais, retângulos, triângulos e quadrados coloridos, calças divididas igualmente por três tecidos, sapatos de veludo e uma cartola com um cilindro perfeitinho no topo com uma fita vermelha e duas penas geometricamente iguais, colocadas em simetria.
Um dia, a neve formava um manto sobre as ruas, um frio glacial pairava no ar e já milhares de andorinhas tinham migrado para sul ou para outras partes do mundo onde havia mais calor. E como pelas janelas do seu escritório só se via o fumo das fábricas a subir e a rasgar o céu, era como se fosse um dia caloroso de verão, ao contrário do que ocorria no lado de fora do espaço onde se encontrava.
Jacinto fez uma pausa no seu trabalho e, vá lá saber-se a razão, lançou um olhar minucioso sobre a paisagem que vislumbrava para lá das vidraças do seu escritório. Começou por tentar decifrar a branca neve sobre as fábricas, de seguida espreitou melhor pelos vitrais coloridos da única janela do seu escritório e reparou num senhor curvado a olhar tristemente para o camião do lixo que se afastava com a sua única fonte de sobrevivência, a uma velocidade inversa ao seu peso.
Por breves minutos, o senhor Jacinto ficou a olhar com ternura para o pobre senhor. Voltou a sentar-se no seu cadeirão forrado com talha dourada de ouro vindo do Brasil. Pegou no lápis e mirou o seu escritório…sentiu-se inquieto…levantou-se novamente… angustiado voltou a olhar para o mundo além da sua vidraça…ao longe, viu o vulto do pobre homem que se arrastava como quem puxa uma carga superior ao seu peso…ficou a vê-lo desaparecer no horizonte. Naquele dia, o espaço circundante do seu escritório tinha sido visto com outro olhar.
De repente, pareceu ter passado um furacão pela sua cabeça. Todos os pensamentos apontavam para o miserável senhor diante de si. Quando tudo acalmou disse para os seus botões:
- Olhando bem, nesta cidade há muitos pobres e desempregados! Pessoas deitadas no chão com bom coração, pessoas sem poder comer ou beber para com saúde viver, pessoas sem casa para morar e dignamente viver sem sofrer, enquanto eu de braços caídos vivo numa casa de luxo! Tenho de fazer qualquer coisa…tem de haver uma forma de ajudar!
Após este pensamento, levantou-se e voltou à janela, quando um cartaz encarnado lhe piscou o olho. Atrás do cartaz estava um terreno à espera de ser comprado. Não sabia bem porquê, mas começou a achar que podia fazer algo em relação aos pedintes se comprasse o terreno. Mas outro pensamento lhe surgiu: comprar e construir O QUÊ?
   Começou a tentar obter um valor aproximado da área do terreno e rabiscou, numa folha, uma casa muito direitinha, usando régua e esquadro para fazer linhas paralelas e perpendiculares.
Quando deu por si já era de noite e, no céu, uma lua brilhante aparecera. Era hora de regressar a casa, ou melhor, ao seu palacete, no seu automóvel topo gama. Antes de entrar em casa, respirou fundo para sentir o ar fresco que a neve trazia e foi quando teve uma ideia. Entrou em casa, pegou na sua agenda, folheou-a e, numa página em branco, escreveu uma única palavra: escola.
No dia seguinte, quando o despertador tocou, Jacinto levantou-se com uma energia inexplicável. Sentia-se com o dobro do stresse que somava com o triplo da pena daquele coitado que vira no dia anterior. Apetecia-lhe ir a uma escola falar daquele senhor e dos seus problemas. Ligou, então, ao seu amigo Joaquim, diretor da Escola Euclides. Numa breve explicação, apresentou o seu interesse em ir a uma escola conseguindo, de imediato, a marcação de um dia para se encontrar com uma turma do ensino secundário.
Na data combinada, a caminho da escola, os seus pensamentos sobre o assunto a abordar cruzavam-se com as observações que ia fazendo: as linhas que dividiam a estrada ao meio, um semáforo que tinha um círculo de raio menor do que os outros, o pavimento dos passeios com motivos geométricos contruídos em isometria com pedra branca e preta. De facto, a matemática está presente no nosso dia a dia…
Foi esta constatação que serviu de início à conversa com os alunos da turma selecionada, levando-os a refletir sobre a importância de observarmos com atenção tudo o que nos rodeia, pois tinha sido assim que ele ficara a conhecer as dificuldades diárias de algumas pessoas. Disse, também, que para se ser cidadão ativo, não basta observar, é preciso ser empreendedor e solidário. Como era aula de matemática fez um pequeno jogo. Usou as sequências para explicar como era importante encontrar uma sequência para contar o dinheiro, exemplificando com a famosa sequência de Fibonacci, para não estarem a contar as notas e moedas uma a uma.
Entretanto, um aluno, o Edgar, sugeriu: envolver todas as turmas da escola. Surgia, assim, o projeto “Ideias Solidárias”.
Mais tarde, quando já tinha passado 90% da aula, a Cátia levantou o braço e perguntou ao Senhor Jacinto se poderia ficar mais tempo na escola. Jacinto, respondeu afirmativamente, dizendo que até podia voltar no dia seguinte. A dois minutos do final da aula, o senhor Jacinto ouviu a sugestão do Vasco: podemos fazer um cartaz para divulgar o projeto.
Durante o intervalo, a turma rodeou o senhor Jacinto, pois todos queriam contribuir com as suas ideias solidárias.
Chegado a casa, o senhor Jacinto pegou no telefone e concretizou a compra do terreno. Os primeiros passos estavam dados.
No dia seguinte, voltou à escola para ajudar a fazer os cartazes, mas antes da concretização dessa tarefa transmitiu-lhes que tinha comprado um terreno que podia ser utilizado para o projeto. Após ouvir algumas sugestões, o senhor Jacinto lembrou que é importante criar abrigos, mas é, igualmente, essencial reintegrar essas pessoas na sociedade. Para isso há que investir na sua qualificação e dar-lhes a oportunidade de descobrirem ou desenvolverem as suas capacidades e mostrarem do que são capazes.
Surgiu, então, a ideia para a ocupação do terreno: uma oficina onde se transformaria lixo em arte, uma galeria de arte onde seriam expostas as obras feitas na oficina e, ao seu lado, uma casa para viverem os que dela necessitassem.
Satisfeito com a ideia empreendedora, o senhor Jacinto deu início à obra. Enquanto os alicerces do edifício iam crescendo, o que levou cerca da terça parte do tempo esperado, pois o senhor Jacinto pagou mais para o aceleramento das obras, os alunos multiplicavam os seus contactos com artistas plásticos, para dinamizarem a oficina, e com casas comerciais para oferecerem o recheio da casa-abrigo. Por outro lado, alguns alunos constituíram uma equipa de rua, apoiados por alguns professores e encarregados de educação, e divulgaram junto dos sem-abrigo o projeto que estava em andamento.

Assim, passo a passo, chegou o dia da inauguração, em que a Galeria de Arte foi aberta ao público já com obras de arte da autoria de um grupo de pessoas que tinham sido tiradas da rua. Muitos foram os visitantes da Galeria, sabendo que ao mesmo tempo estavam a contribuir para uma sociedade mais justa. Mês a mês, o volume de vendas ia subindo e a verba semanal já ultrapassava a média dos mil euros. Nunca é tarde para ajudar!...

Muitos parabéns, Diana! 

24.2.17

"De regresso à tolerância", um conto da autoria de Rafael Raimundo e Rafael Vieira

Um outro conto foi escrito para o concurso "Um conto que contas". Este pelos alunos Rafael Raimundo e Rafael Vieira que tiveram de respeitar o tema "Tolerância" exigido no regulamento do concurso para os alunos do 3º Ciclo.



De regresso à tolerância

Estamos no ano 2026. As crianças iam à escola diariamente, incluindo ao fim de semana.
 A cada dia a transigência dos adultos diminuía para o dobro do dia anterior, ou seja, os adultos começaram a exagerar no poder que tinham sobre as crianças…os adultos estavam a enlouquecer…
Pelas ruas da cidade, vagueava Joaquim Pardal, um rapaz bem constituído, sendo 50% do seu corpo músculo e, por isso, todas as miúdas o admiravam. Apesar do seu ar desleixado, era atraente fisicamente, simpático, inteligente e tolerante. A sua amizade com o Zé Torradas e o seu cão Shibi era mantida sem condicionalismos.

Quem também girogirava pelas ruas da cidade, era o Zé Torradas que era magro e vivia a 1Km do Joaquim. Normalmente vestia roupa azul e azul eram, igualmente, os seus olhos. Apesar da vida não lhe ter sorrido, irradiava simpatia, dava valor ao mais pequenino gesto de amor, amizade e carinho.
Os nossos dois rapazinhos, como bons observadores, resolveram fazer algo para contrariar a situação em que se vivia. Determinaram, então, ir ao Templo das Dúvidas. Contudo, para o conseguirem, precisavam da ajuda de mais alguém, pois era necessário passar por vários obstáculos e resolver vários desafios. Depois de conversarem sobre o assunto, decidiram pedir a colaboração dos amigos Barnabé, Ambrósio e Maria Pardal que aceitaram de imediato o convite.  
(...)
E ficamos por aqui.... teremos de esperar pela decisão do júri que conheceremos até ao dia 20 de abril.

"Ideias Solidárias", um conto da Diana Barreto

Ao longo das últimas semanas, na Oficina de Escrita, a Diana Barreto imaginou e escreveu o conto "Ideias Solidárias", respeitando assim o tema "Solidariedade" exigido no regulamento do concurso "Um conto que contas", para os alunos do 2º Ciclo. Uma outra exigência deste concurso, era envolver conteúdos matemáticos correspondentes ao ano de escolaridade do concorrente.


Foi assim que surgiu o conto:
"Ideias Solidárias"

O senhor Jacinto é um homem possuidor de conhecimentos matemáticos, casas no Havai e noutras terras paradisíacas, quadros de valor de zeros extensos, dezenas de terrenos recém-comprados à espera de serem passados a pente fino e esmagados com edifícios de grande porte onde espera obter sempre valores elevados ao quadrado, animais exóticos de estimação, locais de trabalho com escritórios de área equivalente a uma sala de estar, uma residência numa das mais ricas cidades do mundo, com mordomos, cozinheiros e criados de alta classe, vestidos a rigor a circularem pelos infinitos corredores e dormitórios existentes no seu palacete.
Normalmente veste roupas alegres: um casaco com um padrão de triângulos com botões quadrados, uma camisa branca com círculos cujo perímetro ultrapassa os padrões normais, retângulos, triângulos e quadrados coloridos, calças divididas igualmente por três tecidos, sapatos de veludo e uma cartola com um cilindro perfeitinho no topo com uma fita vermelha e duas penas geometricamente iguais, colocadas em simetria.
Um dia, a neve formava um manto sobre as ruas, um frio glacial pairava no ar e já milhares de andorinhas tinham migrado para sul ou para outras partes do mundo onde havia mais calor. E como pelas janelas do seu escritório só se via o fumo das fábricas a subir e a rasgar o céu, era como se fosse um dia caloroso de verão, ao contrário do que ocorria no lado de fora do espaço onde se encontrava.
(...)
E mais não divulgamos, pois teremos de esperar pela decisão do júri que conheceremos até ao dia 20 de abril.



25.11.16

Oficina de Escrita

Atendendo aos objetivos definidos para o concurso "Um conto que contas", desafiámos os alunos que frequentam a Oficina de Escrita a participar neste concurso.
Este concurso que é da responsabilidade de uma Comissão Organizadora em colaboração com a DRSISPM (Delegação Regional do Sul e Ilhas da Sociedade Portuguesa de Matemática) e com o apoio da Universidade de Évora e do Centro de Investigação em Matemática e Aplicações, da AMIL (Associação de Matemática Interativa e Lúdica) e da Delta Cafés, pretende, além de outros objetivos:
- "Fomentar hábitos de leitura e de escrita nos alunos de todos os anos de escolaridade e incentivar à escrita de um conto que envolva conteúdos matemáticos.
- Desenvolver a capacidade de expressão e comunicação bem como, o pensamento lógico narrativo e o raciocínio matemático, pois este envolve a construção de cadeias argumentativas".

Desafio aceite pelos alunos, seguiu-se a leitura do regulamento. Além de outras informações ficaram a saber que os contos do 2ºciclo deverão obrigatoriamente respeitar o tema "Solidariedade" e os do 3ºciclo, "Tolerância".
Assim, após um momento de registo de ideias soltas quer sobre o tema, quer sobre conteúdos matemáticos, deu-se início à construção da narrativa.


Na sessão seguinte, perante a possibilidade de escolha de optarem pela escrita no computador, a escolha foi unânime: computador.


 No final da sessão, as ideias já eram muitas e nem deram pelo tempo passar...
Segundo eles, a escrita no computador foi bastante favorável ao desenrolar das ideias.



20.4.16

Parabéns, Diana Barreto!

Saíram hoje os resultados do concurso "Um conto que contas" e na categoria A2 (individual do 2ºCiclo), a Diana Barreto, aluna do 5ºano da EB Alexandre Herculano, obteve menção honrosa com o seu texto "Uma semana na praia como castigo".  

Muitos parabéns, Diana! 

13.2.16

"Uma semana na praia como castigo", da autoria de Diana Barreto

"Uma semana na praia" era o tema que devia ser respeitado nos contos do 2ºciclo que concorressem ao concurso "Um conto que contas". Este concurso é da responsabilidade de uma Comissão Organizadora em colaboração com a Delegação Regional do Sul e Ilhas da Sociedade Portuguesa de Matemática e com o apoio da Universidade de Évora, do Centro de Investigação em Matemática e Aplicações, da Associação de Matemática Interativa e Lúdica e da Delta Cafés.
 Atendendo aos objetivos do concurso, tais como "fomentar hábitos de leitura e de escrita (...) e incentivar à escrita de um conto que envolva conteúdos matemáticos", apresentei, na "Oficina de Escrita", a proposta de participação neste concurso .
Assim, ao longo das últimas semanas, na "Oficina de Escrita",  a Diana Barreto construiu o conto que abaixo vem transcrito. De facto, com muita imaginação e articulando as diversas áreas do saber, tais como Matemática e Português, a Diana escreveu o conto "Uma semana de férias como castigo".

Muitos parabéns, Diana!


Uma semana na praia como castigo

Na última aula de matemática do segundo período, a professora chega à sala muito desesperada com as notas dos seus alunos:
- Meninos, estou triste e bastante desiludida com as vossas notas. Vou ter de me reunir com os vossos pais para combinar o castigo que irão ter. Como as poucas notas positivas são fracas, a penalização será igual para todos.
Chegado o dia da reunião com os encarregados de educação, a professora de Matemática apresentou a sua proposta de “castigo” que teve a aprovação de todos os encarregados de educação.
Os alunos quando souberam qual era o castigo, nem queriam acreditar no que lhes estava a ser transmitido pelos pais.
- Uma semana na praia!? – perguntava a Maria à mãe.
- O quê? Depois de amanhã vou para a praia durante uma semana? – questionava o João.
- Estás a gozar comigo? Vá lá, diz qual é o castigo. – pedia o Daniel.
Tinham tido notas fracas em Matemática e, em vez de terem trabalhos redobrados, ofereciam-lhes uma semana de férias na praia.
No dia e hora combinados, lá estavam todos felicíssimos com o passeio e férias inesperados.
- Quero que se sentem números pares sucessivos do lado esquerdo e números ímpares, também seguidos, do lado direito. – ordenou a professora.
- Sou o número dois…então fico com o quatro. Carolina, fico contigo. – disse a Ana.
Apesar de alguma confusão e acesas discussões, lá se foram sentando e, por vezes, corrigindo as primeiras decisões.
À sua espera, em cada assento do autocarro, estava uma brochura com o título “Diário de Bordo” e uma esferográfica.
- Abram o Diário que está no lugar onde se sentaram e confirmem se tem o vosso nome. Se tiver, é sinal que a primeira tarefa foi cumprida com sucesso. Quem estiver no lugar errado, tem de se levantar e vir ter comigo para conversarmos e descobrirmos onde é que têm de se sentar. – informou a professora.
Após trinta minutos de viagem, o autocarro parou numa área de serviço para atestar o depósito.
- O motorista acabou de me dizer que o depósito leva sessenta litros de gasóleo. Como agora tem apenas quinze litros, quanto precisa de colocar no depósito? Calculem e escrevam o resultado no diário de bordo.
De imediato, os alunos pegaram nos telemóveis.
- Ah! Esqueci-me de vos dizer que esta semana de férias na praia vai ser uma aula prolongada de Matemática, pelo que não poderão utilizar os telemóveis.
O silêncio instalou-se…sem abrirem a boca, mas entrecruzando os olhares, começaram a perceber que as prometidas férias “tinham água no bico” e muita Matemática à mistura.
Entretanto, a professora recolheu os telemóveis e colocou-os dentro de uma caixa.
Perante esta dificuldade, cada um tentou calcular à sua maneira. Enquanto uns escreviam no embaciado dos vidros da janela, outros escreviam com o dedo na mão e ainda havia aqueles que fechavam os olhos na esperança de que os números não lhes fugissem da memória.
- Quando chegarem ao resultado, escrevam-no no vosso diário e indiquem a estratégia de cálculo.
O Francisco resolveu rapidamente o cálculo e levantou o braço para que a professora o soubesse. Certificando-se de que todos já tinham dado a resposta, a professora perguntou ao Francisco o resultado, ao que ele respondeu prontamente:
- Para que o depósito fique cheio, o motorista tem de colocar quarenta e cinco litros de gasóleo. Cheguei ao resultado pela identidade fundamental da subtração.
A viagem continuou sem paragens, pelo que chegaram rapidamente à pousada onde iam ficar instalados. Na receção, a professora apresentou mais uma questão:
- Temos a reserva para seis quartos. Atendendo a que somos vinte e cinco, dez rapazes e quinze raparigas, a contar comigo, digam-me como ficaremos divididos pelos quartos e escrevam os vossos resultados no diário de bordo. Os alunos começaram a calcular até que o Guilherme levantou o braço. Quando a professora lhe deu autorização para falar o Guilherme respondeu:
- Como somos vinte e cinco ficarão cinco alunos em cada quarto. Calculei isto usando a multiplicação.
Os risinhos dos colegas não se fizeram esperar. Ao reparar em quem tinha começado com os risinhos, a professora dirigiu-se ao Daniel e perguntou:
- Então, Daniel, qual é o resultado?
Ao ouvir isto o Daniel ficou atrapalhado e demorou a responder. Por fim disse:
- Em cinco quartos vão ficar quatro pessoas e num cinco. Também usei a multiplicação.
- Estão de acordo?
- Não, professora! Assim ficavam rapazes misturados com raparigas – respondeu de imediato a Sara. Pelos meus cálculos, os rapazes ficam divididos por dois quartos, ou seja, cinco rapazes em cada quarto. As raparigas ficam distribuídas em quatro quartos: três quartos com quatro e um quarto com três.
- Professora, pelos meus cálculos, são três quartos para as raparigas e outros três para os rapazes. As raparigas ficam cinco em cada quarto e os rapazes são dois quartos com três e um com quatro. – replicou o João.
- Uhhhh!!!!! – protestaram as raparigas.
- De facto, ambas as propostas estão certas, mas para não haver tanta desigualdade entre os rapazes e as raparigas, tenho outra proposta: os rapazes ficam divididos em dois quartos, as raparigas por três quartos e eu ficarei sozinha num quarto. Assim, estão mais à vontade para conversar uns com os outros. Que vos parece? – perguntou a professora.
Perante a justificação da professora de ficarem mais à vontade, todos concordaram.
No dia seguinte, já na praia, preparavam-se para dar um mergulho, quando ouviram a voz da professora:
- Antes de se lançarem à água, terão de ir recolher conchinhas de diferentes formatos e cores. Apesar de intrigados, limitaram-se a cumprir a ordem da professora.
Passados trinta minutos, a professora chamou-os para que construíssem, no diário de bordo, uma tabela a fim de registarem o número de conchas de cada forma ou cor. Ao terminarem, a professora pediu que fizessem um colar de modo a utilizarem todas as conchas que tinham apanhado, respeitando uma determinada sequência.
Apesar de terem percebido as ordens da professora, foram muitas as vezes que precisaram de retirar as conchas do fio e voltar a construir a sequência de modo a utilizarem as conchas todas.
No dia seguinte, à hora do almoço, a professora propôs um novo problema:
- Neste restaurante a base das refeições são as saladas. Como são saladas com muitos ingredientes, cada uma custa 4,50€. Quanto teremos de pagar?
Nisto os alunos começaram a resolver o problema e a professora teve de dizer várias vezes que a resposta estava errada. Entretanto, surgiram os cálculos da Diana:
- Então, vinte e cinco vezes quatro são cem euros e vinte e cinco vezes cinquenta cêntimos, são doze euros e meio. É fácil! Teremos de pagar cento e doze euros e cinquenta cêntimos.
- Correto, Diana! Vamos, lá, então almoçar.
Passada uma semana repleta de problemas matemáticos, a professora propôs no último dia mais uma situação:
- Sendo hoje o oitavo e último dia e já feitas todas as refeições, sei que por dia gastámos cerca de dez euros por aluno e hoje só pagámos cinco euros. Quanto gastou, cada um de nós, por semana?
Neste último problema quase todos os alunos acertaram:
- Claro que a resposta certa é setenta e cinco. Calculei dez vezes sete, depois adicionei cinco. Na minha opinião este foi o problema mais fácil. - disse rapidamente o Duarte.
À tarde, quando chegaram a casa os alunos estavam eufóricos:
- Ó mãe, ó pai! - chamava a Ana- Agora já percebi porque é que a matemática é tão importante na vida. Eu adoro-a!
- Então a viagem correu bem?
- Lindamente! A matemática é super fixe e divertida! - exclamou o Daniel enquanto pulava de alegria.
- Então Maria, que tal foi?
- Mãe, foi muito divertido! E sabes que mais? Já gosto de matemática.
Com tanta alegria e com tanta diversão, no período seguinte todos os alunos tiraram positiva e nunca mais deixaram de gostar de Matemática. Assim acaba esta história…com um final feliz.

Agora resta-nos aguardar pela decisão do júri.

11.12.15

"Um conto que contas"

Na última sessão da Oficina de Escrita, o desafio foi: concorrer ao concurso "Um conto que contas".
Assim, a primeira tarefa foi conhecer o regulamento do concurso. Após a sua leitura, houve decisões a tomar:
- a Diana Barreto, como é a única aluna do 5º ano, vai concorrer na categoria A2, ou seja, concorre individualmente
- o Rafael Raimundo, a Rita Durão e o Tiago Figueiredo concorrem na categoria B2, ou seja, formaram uma equipa, pois são todos do 6º ano.

Também ficaram a saber que os seus contos deverão ter entre 6 000 e 8 000 caracteres (incluindo espaços em branco), que terão de envolver obrigatoriamente conteúdos matemáticos correspondentes ao seu ano de escolaridade e o tema terá de ser "uma semana na praia".

Após conhecimento das especificidades do concurso, havia que ativar as ideias com desafios matemáticos e ter à mão, para consulta, os conteúdos matemáticos.












Assim, as próximas semanas serão para a construção da narrativa que terá de ser enviada até ao próximo dia 10 de fevereiro de 2016 para a Universidade de Évora.

6.12.14

"Um conto que contas"

Segundo o enquadramento feito no Regulamento do concurso "Um conto que contas", esta iniciativa é da responsabilidade de uma Comissão Organizadora em colaboração com a Delegação Regional do Sul e Ilhas da Sociedade Portuguesa de Matemática e com o apoio da Universidade de Évora, do Centro de Investigação em Matemática e Aplicações da Universidade de Évora, da Associação de Matemática Interativa e Lúdica e da Delta Cafés.

A participação no concurso está aberta a todos os jovens que frequentem escolas públicas e privadas, desde o 1º ao 12º ano de escolaridade.

Para mais informações, deixamos aqui o respetivo regulamento.






4.1.14

Concurso "Um conto que contas"

O concurso "Um conto que contas" é da responsabilidade de uma comissão Organizadora em colaboração com a Delegação Regional do Sul e Ilhas da Sociedade Portuguesa de Matemática, e com o apoio da Universidade de Évora, do Centro de Matemática Aplicada e Tecnologias de Informação da Universidade dos Açores, da Associação de Matemática Interativa e Lúdica e da Delta Cafés.
Este concurso está aberto a crianças e jovens que frequentem escolas públicas e privadas, desde o 1º ao 12º ano.
Este concurso consiste na escrita e ilustração de um conto que envolva conteúdos matemáticos.