10.7.26

Exposição: "A Fragata D. Fernando II e Glória e Submarino Barracuda — O Mar na Cultura Portuguesa"

A exposição da turma 09T2 foi baseada em dois ícones da Marinha Portuguesa — a fragata D. Fernando II e Glória e o submarino Barracuda, para explorar como o mar molda a identidade, a memória e a inovação em Portugal. Mais do que objetos técnicos, estes navios são testemunhos vivos de épocas, missões e imaginários distintos que, em conjunto, revelam a continuidade da nação marítima: da vela à propulsão submersa, da “Carreira da Índia” à NATO, da epopeia à ciência. A fragata D. Fernando II e Glória, lançada ao mar em 1843 e última grande vela da Marinha Portuguesa na rota do Índico, simboliza o Portugal dos Descobrimentos tardios e das ligações transoceânicas. Feita de madeira e armada com dezenas de peças de artilharia, percorreu mais de 100.000 milhas náuticas, transportando pessoas, mercadorias, saberes e crenças. O seu convés evoca a cultura marítima oitocentista: hierarquias, rotinas, riscos e a imaginação literária que imortalizou o mar como destino e metáfora — de Camões a Fernando Pessoa. Hoje, preservada como núcleo museológico em Cacilhas, a fragata permite “tocar” a história, lembrando que o oceano foi veículo de intercâmbios culturais e também palco de contradições, incluindo o comércio colonial e a escravatura, dimensões que a cultura portuguesa tem vindo a reconhecer criticamente.
No que se refere ao submarino Barracuda, este representa o século XX e a viragem tecnológica: navegar invisível, operar em rede, servir missões de defesa e cooperação internacional. A sua presença liga Portugal ao Atlântico contemporâneo — estratégico, científico e ambiental. A vida a bordo do submarino evidencia uma outra cultura do mar: silêncio operacional, camaradagem extrema, rigor técnico e constante aprendizagem. No imaginário coletivo, o submarino convoca o lado enigmático do oceano e sublinha o papel da ciência e da engenharia na proteção de pessoas, rotas e ecossistemas. Ao colocar lado a lado estes dois navios, a exposição evidenciou continuidades e rutura: • Continuidade de uma identidade marítima que atravessa séculos — partir, explorar, comunicar e regressar. • Rutura tecnológica — da vela e da madeira à mecânica, eletrónica e hidrodinâmica — que reconfigura práticas, linguagens e valores a bordo. • Evolução ética e cultural — da epopeia comercial e militar para uma consciência oceânica que integra sustentabilidade, património e cidadania. O mar, enquanto matriz da cultura portuguesa, surge aqui em três dimensões: memória, criação e futuro. Como memória, preserva histórias de rotas, portos, ofícios e comunidades costeiras. Como criação, inspira literatura, artes visuais e música, do mito das sereias às paisagens de tempestade e calmaria. Como futuro, convoca educação e ciência: literacia do oceano, inovação azul, conservação da biodiversidade e responsabilidade climática. Os navios mostram que conhecer o mar é, hoje, também protegê-lo. No âmbito da disciplina de Projeto, esta exposição funcionou como laboratório interdisciplinar. Propôs investigar, pesquisar, e visitar instalações sonoras com ruídos de convés e de sonar, ou percursos comparativos entre espaços de vida a bordo na fragata e no submarino. Em síntese, a D. Fernando II e Glória e o Barracuda contam uma mesma história por vias diferentes: a de um país cuja cultura se reconhece no horizonte. Entre a vela e a vigia submersa, o mar continua a ser linguagem comum — lugar de encontro, responsabilidade e criação — convocando-nos a honrar o passado, compreender o presente e projetar um futuro mais justo e sustentável para os oceanos. Os alunos apresentaram trabalhos bastante elucidativos sobre este tema, colocando em articulação escola/família, o que é deveras importante cada vez, mais que exista esta parceria, essencialmente, quando nos referimos à disciplina projeto. Estão todos de Parabéns…Sensacional exposição para qual também colaborou a Professora Isabel Figueiredo das Atividades Extra- Curriculares com alguns trabalhos sobre o “Mar”. E aqui ficam algumas das fotografias…

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