29.4.20

Sementes da Sustentabilidade


Na Página Web Ensina RTP, encontramos uma reportagem feita pelo escritor Valter Hugo Mãe que nos relata um exemplo educativo de sustentabilidade.

Basta clicar na imagem para aceder à reportagem

Dinamizar uma Sessão Online

Na página Web Apoio às Escolas da Direção-Geral de Educação, entre muitos outros materiais, está um vídeo orientador da dinamização de uma sessão online.


28.4.20

27.4.20

A minha mãe é médica e já tenho saudades dela

A minha mãe é médica e já tenho saudades dela é um obra literária da autoria de Susana Amorim e Miguel Correia.

Basta clicar na imagem para aceder ao livro digital do qual pode descarregar o PDF.


Cidadania...

Um pequeno vídeo para trabalhar em cidadania.


Uma História para Ajudaris




O projeto nascido em 2008 "Histórias da Ajudaris" desafia as crianças a escreverem histórias para ajudarem outras crianças. Este projeto tem como objetivos:
- Despertar e fortalecer os hábitos de leitura e da escrita.
- Estimular a prática da cidadania e da solidariedade.
- Aproximar os contextos Escola-Família e Comunidade.
- Impulsionar a rede de voluntariado na comunidade. 

Este foi mais um projeto em que os alunos da Oficina da Escrita estiveram envolvidos.

Título: O Peixinho e o Misterioso Caranguejo

Estava um peixinho a nadar num rio, quando viu aparecer um grupo de alunos que vinha acompanhado de uma professora.
Uma das crianças viu o peixinho a nadar e, por curiosidade, tentou pegar nele, mas não o conseguiu agarrar. Então, voltou a tentar uma e outra vez. Nesse momento, a professora viu e repreendeu-o, explicando-lhe que a sua brincadeira ia matar o peixinho. O menino, em vez de ter desistido da sua brincadeira, voltou ao que estava a fazer, assim que a professora se afastou. 
Estava ele entretido na sua brincadeira quando surgiu um caranguejo que lhe perguntou:
- O que ganhas em fazer mal ao peixinho?
- Nada! É só por diversão! Está a ser bué divertido! – respondeu o menino.
- Ah! Boa ideia! Também me vou divertir a morder-te! – exclamou o caranguejo.
- O quê? Morder-me? Estás maluco? – questionou o menino.
- Não!? Então, não achas que é uma boa diversão? Ia ser bué divertido morder-te as bochechas ou as tuas pernas.
- Claro que não! Que caranguejo mais doido!!!
- Ah, eu sou doido por me querer divertir e tu não! – afirmou o caranguejo.
- Está bem, já percebi! A minha professora também já me tinha dito: A minha diversão acaba quando causo mal estar aos outros, seja pessoa, planta ou animal.
- Ainda bem que concordas comigo, pois o peixinho não estava a gostar da tua brincadeira.
A partir daquele dia, o menino tornou-se mais respeitador e solidário.

24.4.20

Coro Gulbenkian em Casa


Oficina da Escrita - "Uma Aventura Literária" III

Tenho vindo a publicar as histórias construídas pelos alunos da Oficina da Escrita e concorrentes ao concurso "Uma Aventura Literária". Hoje conheçam mais três, as da Sara Domingos, Sofia Farinha e Sofia Montez


Título: Livros e Companhia
Autor: Sara Domingos

Livros tristonhos amparam-se uns aos outros nas prateleiras da biblioteca e os desabafos entre eles são constantes:
- Ai,ai! Que tristeza! Ninguém me quer!
- Uff! Estou cansado de estar em pé! Só não caio porque estamos todos encostados uns aos outros e bem apertadinhos!
- Que saudades do tempo em que as crianças e jovens corriam para as prateleiras em busca das aventuras guardadas nas minhas páginas…
- Coff! Coff! Esta tosse não me larga! Deve ser da humidade! Ninguém me abre e não recebo o calor dos raios de sol!
- Snif! Snif! Não consigo deixar de chorar…era tão bom o tempo em que era segurado com carinho pelas mãos suaves das crianças…página a página recebia uma carícia…alguns gostavam tanto da história que me apertavam contra o seu peito e adormeciam abraçados a mim…
- Psiu! Vem aí alguém!
Era hora do intervalo e rapidamente a biblioteca ficou repleta de alunos, uns sentavam-se para fazer rapidamente os trabalhos de casa que não tinham feito, outros tiravam o telemóvel do bolso…alguns nem iam para as mesas junto aos livros, pois corriam para os computadores e também havia os que se sentavam nos confortáveis sofás para conversarem ou verem uma revista.
Finalizado o intervalo, voltava o silêncio e esvaziava-se a esperança de alguém trocar a aventura de um jogo no telemóvel por uma vivida através das personagens de um livro.
Um dia, a professora bibliotecária colocou uma caixa em cima do balcão com a indicação: “Sugestões para melhorar a Biblioteca”.
Passado um mês, entre todas as sugestões, a professora bibliotecária considerou que a proposta mais original e interessante era a de ter animais na biblioteca. Então, recolheu alguns gatos abandonados e comprou um aquário com peixes e tartarugas que levou para a biblioteca. Posteriormente, foi lançando desafios para cada nome de animal, no qual o nome tinha de ser inspirado em personagens de uma coleção de livros, num conjunto de livros de uma prateleira ou nos livros de um autor.
Foi uma autêntica revolução na biblioteca. Finalmente havia luz entre as páginas dos livros e o carinho confortava-os depois de tantos anos esquecidos nas prateleiras, onde só eram movimentados pela funcionária para lhes tirar o pó.
Agora, passou a ser natural ver os alunos com o gato no colo a lerem um livro. Com esta iniciativa, a biblioteca conseguiu mais leitores, mas também livros e animais mais felizes.




Título: Uma viagem à Cidade da Música
Autor: Sofia Farinha

As amigas ficaram eufóricas com a notícia: iam participar no Encontro Europeu de Flautas Transversais! O Ensemble de flautas da professora Joana fora selecionado para estar presente em representação de Portugal! Ia ser uma grande aventura; iam conhecer pessoas novas; iam tocar flauta; iam fazer amizades! No fundo, iam fazer tudo o que elas adoravam, o único problema era terem de esperar dois meses e o amigo Garcia não ter sido convocado...Humm, teria de haver alguma forma de conseguirem que ele também fosse. Assim, juntaram-se e debateram a questão. Não viam como dar a volta à situação e não podiam simplesmente pedir à professora Joana sem qualquer motivo lógico...quando, de repente, a Sofia, que tinha lido o regulamento de fio a pavio, lembrou-se: o Ensemble podia ter um acompanhador de piano e o Garcia tocava piano! Perfeito! Foi desta forma que conseguiram reunir o bando de amigos e tornar aquela uma viagem inesquecível para os quatro! Estavam longe de imaginar o quão inesquecível iria ser!
Tinham-se passado 2 meses a correr entre ensaios, tarefas da escola e demais preparativos e, finalmente, estava na hora de eles irem viajar para Viena, “a cidade da música”! Eles estavam todos tão entusiasmados que nem dormiram.
Chegaram a Viena e a professora muniu-os de mapas, de contatos via Whatsapp e de muitas recomendações quanto ao perímetro em que deviam permanecer e, por fim, lá os deixou ir ver aquela magnífica cidade! Obviamente que acharam a cidade muito bonita, mas o que mais gostaram foi o facto de estar ligada à música. Paravam em cada pequeno pormenor que encontravam e deliciavam-se a comentar, a observar e a fotografar. Excederam-se um pouco na hora marcada para o regresso...não foi agradável ter de encarar a fúria da professora Joana mas compreenderam que deviam tomar mais atenção e cuidado.
No dia seguinte, pela manhã, a professora estendeu-lhes o seu sorriso simpático e eles perceberam que já estavam perdoados. Ufa! Partiram cedo do hotel e o Ensemble dirigiu-se para o Encontro que se realizava num pavilhão com diversos pequenos auditórios. Era tudo tão fantástico que eles ficaram deslumbrados com a quantidade de flautistas, flautins e artistas. Ali respirava-se música! E o quanto eles adoravam música! 
No encontro, fizeram uma atuação tal como todos os outros e foram almoçar. Fora-lhes dada a indicação do seu espaço e das regras que deviam seguir quanto ao armazenamento dos seus materiais, pelo que todo o Ensemble deixou as suas flautas acondicionadas, tal como todos os outros. O almoço foi divertido, as brincadeiras, as risadas, a alegria de estarem num país diferente a fazer o que mais gostavam: música! 
Quando voltaram, já lá não estavam as flautas das miúdas: da Sofia, da Mafalda e da Madalena. Ficaram todos estupefatos a tentarem entender aonde poderiam estar: “alguém as mudou de local” diziam uns, “alguém as levou já para o palco” diziam outros e os mais silenciosos pensavam no pior... Durante um bocado, resolveram seguir todas as suas pistas. A professora Joana foi falar com os responsáveis, os alunos foram vasculhar todos os sítios que lhes pareceram credíveis mas depressa chegaram à mesma conclusão: TINHAM SIDO ROUBADAS!!!!!!! Todos entraram em pânico, soltavam pequenos gritos de angústia e choravam porque as flautas eram tão importantes para eles e eles eram muito unidos! Eram as flautas que os faziam felizes juntos. Chegou a polícia e começou a investigar: perguntas daqui, perguntas dali mas, no fundo, não saiu de lá com nenhuma pista de quem as tinha levado. Os quatro amigos, particularmente chateados com isso (o Garcia era pianista mas as miúdas eram as suas grandes amigas!), resolveram armar-se em detetives, aliás já não seria a primeira vez e aquele era um mundo que conheciam muito bem! Fizeram uma reunião, no quarto das miúdas, de forma a tentarem entender como encontrar pistas. Nesse sentido, a Sofia pediu aos outros que analisassem melhor a situação e que pensassem se tinham ouvido ou visto algo invulgar quando deixaram as flautas. Eles ficaram a pensar algum tempo até que a Madalena diz que tinha ouvido a Inge, uma flautista da Dinamarca, a dizer que as suas flautas eram mesmo boas e que adoraria ter uma, e, nesse instante, a Mafalda disse que viu o Frank, amigo da Inge, muito próximo das flautas, sendo que, na altura, não suspeitou de nada e a professora estava a reuni-los para irem almoçar. Não podiam acusar sem provas, mas não podiam ficar sem as suas flautas! Assim, elaboraram um plano que iriam pôr em prática no dia seguinte.
Foram os primeiros a ficarem prontos para irem para o Encontro, a professora Joana estranhou aquela disposição, afinal as flautas das miúdas tinham desaparecido mas, enquanto, não tivessem indicações por parte das autoridades, mantinham o programa.
Uma vez no pavilhão, o Garcia dispôs-se a ensaiar com o Ensemble, à exceção das miúdas que não tinham as suas flautas; assim, a professora deixou-as ficar sentadas na bancada para não lhes causar muita pressão, mas não foi por ali que ficaram...o seu plano entrou em ação.
Separaram-se e resolveram procurar vestígios das suas flautas por todo aquele espaço; todos os músicos estavam a ensaiar, pelo que seria mais fácil investigarem sem que ninguém notasse. O pavilhão era enorme e os locais onde procurar imensos, no entanto, quando a Sofia tirou um pano preto  que cobria uma parede numa arrecadação que servia para arrumar instrumentos velhos depressa identificou a sua caixa: tinha um autocolante que o seu irmão lhe dera... Retirou a sua flauta mas quando, de repente, se apercebe de dois vultos atrás de si, tocou na sua flauta as notas mais agudas que conseguiu e desatou a correr... Nisto surgem a Mafalda e a Madalena, a professora Joana e a polícia... Afinal, a professora conhecendo as suas alunas suspeitou de que poderiam estar a fazer algo que poderia ser perigoso, pelo que deixou os restantes alunos a ensaiar e quando encontrou a Madalena fê-la contar-lhe tudo; chamou a polícia e...bem, os agentes prenderam a Inge e o Frank e recuperaram todas as flautas assim que a Sofia lhes mostrou o local. Afinal, eles eram ladrões de instrumentos musicais procurados por diversas polícias europeias que nunca os tinham apanhado em flagrante, nem tinham conseguido provar que eram eles os ladrões mas, agora, graças aos quatro amigos, nem a Inge nem o Frank iriam voltar a roubar instrumentos musicais a quem tanto os estimava.
Os quatro amigos regressaram a Portugal com os restantes membros do Ensemble; tinham apanhado o susto das suas vidas mas a sua audácia tinha-os ajudado a recuperar as flautas intactas e tinha-lhes permitido desfrutar do restante Encontro e fazer uma das coisas de que mais gostavam na vida: Música.

Título: A gotinha solitária e triste
Autor: Sofia Montez
Mais uma vez tinha sido a última gotinha…não tinha chegado a tempo de ir para o copo, tal como as suas colegas. Como sempre, chegava atrasada ao seu destino, fosse ele de boca larga como uma panela, ou de boca mais estreita como uma garrafa. Já era habitual, ela era a gotinha desperdiçada que caía no vazio frio e solitário.
Entre as várias viagens, um dia foi ter ao mar, mas nem aqui no meio de tantas gotas, ela conseguia ter amigos. Se faziam uma corrida até à areia, ela nunca conseguia acompanhá-las, ia ficando para trás, cada vez mais distante até que as deixava de ver. Parecia que as suas pernas eram demasiado curtas e pesadas. Se subiam pela rocha acima para darem um triplo salto para o mar, só lá chegava quando as outras gotinhas já tinham desistido da brincadeira. Ora, assim era difícil ter amigos!!
Num final de tarde, o sol a desaparecer no horizonte, a gotinha estava em cima da carapaça de uma tartaruga quando sentiu uma gota a cair em cima dela o que provocou a queda das duas para o mar.
- Desculpa, Gotinha! Sou a Gotinha Cinza! O Cinza! E tu como te chamas?
- Sou a Gotinha Só! Como nunca consigo acompanhar as minhas colegas, estou sempre sozinha. Daí ter ficado com esse nome. E tu, donde caíste?
- Caí da casa da minha avó, aquela nuvem ali em cima! Estava a espreitar-te, debrucei-me demasiado e caí!
- A espreitar-me!?
- Sim, já tinha reparado que andavas sempre sozinha! Sabes, eu também fui para a casa da minha avó porque me sentia rejeitado pelas outras gotas! Como viste há pouco eu sou um desastrado! Qualquer atividade que tento fazer igual às outras gotas, comigo sai sempre errado, é quase certo sair disparate…por isso deixei de conviver com as outras gotas e refugiei-me na casa da minha avó.
- Hã! Apesar de seres desastrado, és muito bonito!
- Queres ir morar para a casa da minha avó? – perguntou Cinza.
- Claro! Assim fazemos companhia um ao outro e à tua avó!



23.4.20

Oficina da Escrita - "Uma Aventura Literária" II

Ontem dia 14 de abril, publiquei três histórias concorrentes ao concurso "Uma Aventura Literária". Hoje conheçam mais três, as do Dinis Gonçalves, João Pedro Duarte e Madalena Lopes.


Título: Peixe, Candidato à Presidência de Portugal
Autor: Dinis Gonçalves
Tudo começou no fundo do oceano. Havia um peixe chamado Eduardo que queria ser presidente do Oceano. Um dia, depois das aulas, Eduardo foi até ao seu sítio favorito: a Câmara Municipal do Recife, onde havia um mural com o registo de todos os Presidentes da Cidade. Estava ele nessa demorada contemplação, quando foi interrompido pelo seu irmão mais velho, Duarte:
- Ei, mano! O que estás a fazer aqui? Precisas de ajuda?
- Não! Só estava a ver os presidentes!
- Outra vez!? Bem, como já deves ter visto tudo muito bem, regressa a casa que a mãe está preocupada.
Chagado a casa, Eduardo depara-se com a mãe a esmagar telefones (era a sua tarefa no seu emprego), trabalho que ela adorava fazer.
- Olá, filho! Acreditas que hoje no trabalho a minha prensa hidráulica favorita estragou-se?
Sem dar continuidade à conversa da mãe, foi para o quarto e começou a pensar sobre o seu dia e reparou que ninguém acreditava nele como candidato a Presidente. Mas, lembrou-se de perguntar à mãe. Gritou, então, do quarto:
- Mãe! Acreditas em mim como Presidente da Cidade?
- É claro… que não! Vai, mas é, estudar para acabares o curso como o melhor aluno!
- Boa! Nem com a própria mãe podia contar! – pensou, Eduardo, com uma profunda tristeza.
No dia seguinte, Eduardo encheu a sua mochila com o essencial para um peixe e saiu de casa sozinho. Dirigiu-se à oficina do ferreiro da cidade dos peixes.
- Bom dia, Senhor Ferreiro! É possível construir partes robóticas do corpo humano para eu aplicar no meu corpo? Tipo braços e pernas mecânicos que me ajudassem a sair do mar!
- Gosto de desafios! Mas, como me vais pagar?
Uma questão que o Eduardo não tinha pensado, mas após breves segundos …
- Faço publicidade da sua loja! – exclamou Eduardo entusiasmado com a sua ideia.
O ferreiro aceitou a proposta e começou logo a trabalhar na encomenda feita pelo Eduardo.
Passados alguns dias, Eduardo teve as suas pernas e braços mecânicos que se adaptaram perfeitamente ao seu corpo e guardou-as na sua mochila.
Estava na hora de perseguir os seus sonhos. Como ele tinha lido na obra literária As Valkírias, de Paulo Coelho, “O mundo está nas mãos daqueles que têm a coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos”. Estava decidido, ia apresentar a sua candidatura a Presidente de Portugal. No Mar não levavam a sério as suas capacidades de gestão e de orientação do mundo aquático, talvez em Portugal reconhecessem o seu valor.
Resolveu, então, telefonar ao irmão:
- Ei, Duarte… como hei de explicar…fugi de casa! – exclamou Eduardo muito nervoso.
Discutiram, trocaram argumentos até que Duarte verificou que não conseguia desviar o seu irmão da ideia que tinha metido na cabeça.
- Decidiste, decidido está! Não vou contrariar o teu sonho, contudo aceita-me como teu gestor. Como já tenho membros robóticos para ir às reuniões no Ministério da Sustentabilidade Ambiental, será fácil acompanhar-te.
Passados trinta minutos, Duarte estava ao pé do irmão.
- Aqui estou para te acompanhar!
- Obrigada, Duarte! Fico muito feliz com o teu apoio!
- Fica sabendo que avisei os pais e, como deves calcular, não estão felizes com a tua decisão.
- Estão à minha procura? – perguntou preocupado Eduardo.
- Sim! – respondeu rapidamente o irmão.
- Oh! Então, acho que é melhor fugir daqui! – disse Eduardo enquanto punha a sua mochila às costas e iniciava a sua viagem a caminho da terra.
Quando chegou à foz do rio Tejo, colocou as peças mecânicas para se conseguir deslocar e dirigiu-se ao Palácio Ratton, onde funciona o Tribunal Constitucional para apresentar a sua candidatura a Presidente de Portugal. Quando ele disse o que ia fazer, riram-se dele: Achas mesmo que qualquer um, ainda mais um peixe, se pode candidatar às eleições? Tem de apresentar um documento 7500 assinaturas das pessoas que o apoiam nesta candidatura e angariar dinheiro para a campanha eleitoral. Eduardo ouviu tristemente o que lhe transmitiam e saiu cabisbaixo. Sentou-se no banco dum jardim a comer as suas bolachas preferidas. Até que, inesperadamente, chegou Duarte que resolveu dar todo o apoio ao irmão.
- Obrigado, Duarte! – exclamou Eduardo muito feliz.
Nos dias que se seguiram, Eduardo, na companhia do seu irmão, apresentou as suas ideias ecológicas, ideias relacionadas com a sustentabilidade do planeta.
- É um sonhador! – diziam alguns.
- Tem excelentes ideias! – exclamavam outros.
- Era fantástico se conseguisse pôr juízo na cabeça dos políticos! – desejavam muitos dos que o ouviam.
Apesar de ser um peixe, e como tal muito diferente dos outros candidatos a Presidente de Portugal, rapidamente conseguiu as assinaturas de que necessitava para se candidatar.
Agora que conta com o apoio de muitos portugueses, os peixes começaram a olhar para ele com mais confiança e resolveram apoiá-lo na sua campanha. Está claro que tiveram o apoio do ferreiro para lhes facultar a possibilidade de irem para terra. Aqui, organizaram concertos, espetáculos para acompanharem a campanha eleitoral e enviaram vídeos promocionais para os vários canais televisivos que logo o contactaram para entrevistas e debates. Em poucas semanas, o peixe Eduardo candidato a Presidente de Portugal passou a ser conhecido de todos os portugueses. No dia das eleições, Eduardo sentia-se feliz com o apoio conseguido, tinham gostado das suas ideias. Tinha sido corajoso e esperava conseguir alargar os horizontes de Portugal. Agora, tinha de aguardar, serenamente (o que estava a ser muito difícil, pois estava demasiado ansioso), pelos resultados.


Título: Estranhos Acontecimentos

Autor: João Pedro Duarte
 Era quarta-feira, sem aulas à tarde, regressava da escola com o meu irmão quando passámos pelo minimercado junto a nossa casa.
- Bbrrzz! Bbrrzz! Bbrrzz! Bbrrzz!
- Não sei o que se passa hoje com o rádio! Está constantemente com interferências! Mal consigo ouvir as notícias! – queixava-se o Sr. Inácio.
- Bbrrzz! “A cidade do Porto” Bbrrzz! “acordou repleta de anomalias” Bbrrzz! Bbrrzz!
- Anomalias? Que anomalias? – perguntou o meu irmão.
- Não sei! Talvez deem mais alguma informação! – respondeu o Senhor Inácio.      
- Bbrrzz! Bbrrzz! “Interrompemos a nossa emissão” Bbrrzz! Bbrrzz!   
- Digam lá, meus jovens, o que pretendem?
- Queremos o pão e o queijo fresco que a nossa mãe lhe pediu para guardar.
- Certíssimo! Aqui está!
- Bbrrzz! Bbrrzz! “Inacreditável…acabámos de ver cavalos com cabeça de leão…” Bbrrzz! Bbrrzz!
- O quê!? As notícias estão a ficar interessantes!!
- Vamos rapidamente levar as compras a casa e já regressamos para ouvir as notícias!
- Mãe, estão aqui as compras! Nós já vimos! Estamos no minimercado do Sr. Inácio.     
- Está bem! Mas o que se passa lá de tão interessante para estarem com essa pressa toda? 
- Na rádio estão a transmitir alguns acontecimentos estranhos que aconteceram na cidade do Porto.   
- Ah, sim! Não sabia! Há pouco ouvi as notícias na televisão e nada disseram!!!
- Até já mãe! – e saíram de casa a correr.
- Então, Sr. Inácio, o que disseram mais?
- Disseram que nos jardins havia gnomos falantes!
- Bbrrzz! Bbrrzz! “No estádio do Dragão, encontraram buracos enormes que parecem ter sido feitos por algum OVNI” Bbrrzz! Bbrrzz!
- Gostava de ir ao Porto, ver com os meus próprios olhos todas estas alterações e outras ainda não descobertas! – disse eu ao meu irmão.
O meu irmão concordou comigo e o senhor Inácio, tão entusiasmado como nós, disse:
- Se os vossos pais deixarem, não me importo de fechar a loja por um dia e ir convosco.
- Ah! Obrigada, Senhor Inácio! Vamos já pedir aos nossos pais!
- Até já, Senhor Inácio!
- Bbrrzz! Bbrrzz! Bbrrzz! Bbrrzz!
- Esperem! Escutem….
- Bbrrzz! Bbrrzz! Esta foi a nossa mentira do dia 1 de abril! Bbrrzz! Bbrrzz!
- AH! AH! AH! – foi gargalhada geral.
- Agora percebo a razão da nossa mãe não ter ouvido qualquer notícia sobre este assunto na televisão. AH! AH! AH!
- Senhor Inácio, obrigada por se ter disponibilizado para ir connosco ao Porto.
- Não precisamos de ir amanhã, mas podemos combinar um outro dia. – disse o Senhor Inácio.



Título: Viver Offline

Autor: Madalena Lopes
A hora do intervalo tinha chegado e, como sempre, estava sozinha no pátio a comer o meu pão. Estava naquela escola há pouco tempo e, ainda, não tinha amigos.
Como não tinha com quem conversar, aproveitava o tempo para observar a alegria dos passarinhos a saltitarem de ramo em ramo, as folhas das árvores a dançarem ao sabor do vento que soprava ligeiro…
- Psit…psit… - soou entre os ramos duma árvore.
- Ah! Ah! Estou tanto tempo a olhar para as árvores que já oiço sons…
- Psit! Psit! Sou eu! – respondeu a voz do cimo da árvore.
- Eu, quem? Quem me chama? – perguntei.
- PAF!!!! – e um rapaz caiu junto de si, vindo de cima da árvore.
- Opa! Que susto! Que estavas a fazer no cimo da árvore? Estás a roubar os ninhos? Ou andas a apanhar passarinhos? Escondes-te de alguém? Faltaste às aulas?
- Ufff! Tanta pergunta! Estás pior do que a minha mãe!!!
- Desculpa! Pregaste-me um susto valente e os nervos deram-me para falar…
- Então, apresento-me! Sou o Vasco e ando no 7º ano. E tu?
- Eu sou a Vitória e estou no 5º ano. O que te fez subir à árvore? Escondias-te? Ou procuravas algo?
- Ah! Ah! Ah! Voltaste à carga! Nada disso! Estive, simplesmente, a desafiar-me! Adoro experimentar novas vivências e sinto-me muito feliz quando consigo fazer algo que me parecia impossível de concretizar.
- Quer dizer que hoje fizeste algo que nunca tinhas feito? Conseguiste subir a uma árvore pela primeira vez!?
- Não é bem assim! Já tinha subido a árvores mais pequenas…e também já tinha subido a esta árvore, mas…
- Mas, o quê?
- Bem, já há alguns dias que tenho estado em cima da árvore quando tu vens para aqui lanchar! – disse o Vasco um pouco envergonhado.
- O quê? Tens andado a espiar-me? Que atrevido! O que queres de mim?
- Nada! Simplesmente, me apercebi que tu não és como as outras jovens! Não estás sempre de telemóvel na mão e a criar poses para tirar selfies. Preferes contemplar a Natureza. Isso é fantástico! Adorei ver o teu olhar sereno…o teu sorriso ao veres os passarinhos a brincarem…
Corei com as palavras do Vasco e o meu coração começou a bater com tanta força que parecia querer saltar do peito.
- Vou dizer-te um segredo: eu não tenho telemóvel! Só o meu pai é que trabalha e o dinheiro é pouco…
- Então já somos dois. Daí eu preferir inventar desafios para me ocupar o tempo…sem precisar do telemóvel.
- Bem, está na hora de irmos para as aulas! Até ao próximo intervalo…
- Está combinado! Não te esqueças, pois não tenho telemóvel para te ligar!
- Ah! Ah! Ah! – riram os dois.



22.4.20

Jogos Tradicionais, T4 da EB de Vale de Santarém

Na disciplina de Oferta Complementar, os alunos do 4º ano tiveram de realizar um trabalho no âmbito da temática "Património", seguindo o modelo de pesquisa BIG 6. 


Assim, na primeira etapa da sua pesquisa, cada turma teve de escolher um subtema dentro do tema "Património da nossa região". Os alunos do 4º ano da Escola Básica de Vale de Santarém começaram por consultar vários livros e selecionaram algum património.


Após diálogo sobre o esquema construído, o tema selecionado foi "Jogos Tradicionais". Registaram o que já conheciam sobre este tema e anotaram, também, o que queriam saber.
Passando à segunda etapa, "Estratégias de pesquisa de informação", identificaram onde queriam procurar a informação, quais as fontes de informação disponíveis e quais as fontes mais adequadas para obterem as respostas às perguntas formuladas na etapa 1.
De seguida, consultaram várias obras literárias e identificaram alguns jogos tradicionais, como se jogavam, as suas regras e os materiais necessários.

Na etapa 4, registaram essas informações em suporte digital.


Na etapa 5, tiveram de pensar como iam organizar a informação, em função das formas de apresentação. Escolheram, então, a construção de um livro em suporte papel para ficar na biblioteca da escola onde todos pudessem consultar e de um livro digital para ficar acessível a todos, em qualquer dia e a qualquer hora. Foram dias de trabalho bem diversificado.
Ilustraram os jogos utilizando materiais diversificados.




O título do livro e o registo dos seus autores foi feito utilizando a ferramenta digital WordArt online.


E assim foram nascendo as várias páginas do livro. Ficam aqui algumas como exemplo (as restantes poderão ver no livro digital que está disponível mais à frente).







Também pensaram construir caixas, onde colocariam o material e as regras de alguns jogos. Iriam, posteriormente, às várias turmas da escola apresentar os livros e entregar uma caixa de jogos. Este trabalho estava previsto realizar-se no 3º período. Contudo, atendendo à situação epidemiológica que o país atravessa não nos vai ser possível concretizar.
Vejamos, então, o livro digital.

Jogos Tradicionais

Ler mais publicações no Calaméo

Eis-nos chegados à última etapa, a avaliação. Esta etapa já foi feita em aula online, após reflexão sobre as etapas realizadas e visionamento do livro digital. Além desta reflexão oral, cada aluno definiu numa palavra ou duas a sua apreciação sobre o trabalho "Jogos Tradicionais" feito ao longo do ano. O registo dessas palavras foi feito utilizando a ferramenta digital "Answer Garden". Fica aqui o registo final.

As palavras que estão com uma letra maior significa que foram escritas por mais alunos, o tamanho mais pequeno de todos quer dizer que a palavra só foi escrita uma vez.

Oficina da Escrita - "Uma Aventura Literária" I

No dia 14 de abril, terça-feira, era o regresso à escola e à Oficina da Escrita. Foram vários os desafios e os projetos propostos e que entusiasticamente abraçaram. Alguns estão concluídos, mas ainda há outros que irão ser concluídos ao longo deste período.
Hoje vou apresentar-vos as histórias escritas para o concurso "Uma Aventura Literária". Entre as várias modalidades a concurso, escolheram Texto Original. Nesta modalidade, o tema era livre e o texto tinha de ter a extensão máxima de 1 ou 2 páginas manuscritas ou datilografadas.


Hoje apresento-vos as histórias do Afonso Garcia, da Camila Veloso e da Diana Barreto. Ao longo da semana irei apresentando as restantes.

Título: Era uma vez…
Autor: Afonso Garcia
Era uma vez um rapaz, como todos os outros, um rapaz que tinha sonhos, amigos, ocupações, mas sentia sempre que lhe faltava algo para se sentir realizado.
- Ninguém tem tudo! Toda a gente sente o mesmo que eu! – pensava para si o rapaz.
Um dia resolveu perguntar à mãe:
- Mãe, não me sinto completamente feliz! Acho que me falta algo…
- Tenho mais que fazer! Não tenho tempo para conversas! – respondeu a mãe.
O rapaz estava tão farto daquele sentimento que um dia tomou uma decisão:
- Chega! Vou-me embora!
Agarrou numa mochila azul e lá meteu pão, uma corda e um Drone, partindo de seguida.
Caminhou durante várias horas, mas ao sentir fome, sentou-se a comer um pedaço de pão. Estava a saborear o pão, quando escorregou e caiu num buraco. Subitamente, apareceu uma luz que se aproximou dele ficando cada vez maior. Quando conseguiu abrir os olhos perante tanta luminosidade, viu que envolto na luz estava um homem vestido de branco, com cabelo e barba compridos e duas grandiosas asas que cintilavam ao sol. Fez um gesto e surgiu outra luz, donde saiu um lobo bebé com umas pequenas asas.
- Esta é a tua recompensa! – disse o homem de branco.
- Recompensa!? Recompensa de quê? O que fiz eu? – perguntou o rapaz.
- Simplesmente por seres como és!
Assim que acabou de falar, o homem de branco desapareceu.
O rapaz estava confuso e atordoado, esfregou os olhos, uma e outra vez para se certificar que não estava a sonhar.
- Afinal não foi um sonho! Tenho aqui um lobo bebé!
O rapaz agarrou no lobo, saiu do buraco e continuou o seu caminho, não conseguindo deixar de pensar no que lhe tinha acontecido. Entretanto, o lobinho acordou…agitou a cauda…abriu as asas e com um olhar doce parecia implorar por comida. O rapaz deu-lhe um bocado de pão e o lobinho mostrou-se satisfeito. Apesar da sua pobre refeição, ficou com energia para passar o dia na brincadeira com o rapaz. Com o último raio de luz no horizonte, os dois abraçaram-se e adormeceram. Os dias foram passando entre brincadeiras e um naco de pão.
O lobo crescia e com ele o tamanho das asas. O rapaz tinha ficado sem comida e estava muito fraco. Então, o lobo agarrou nele, pô-lo nas suas costas e começou a voar. Quando avistou uma aldeia, dirigiu-se para a praça central onde o largou. Os habitantes da aldeia cuidaram do rapaz durante vários dias até à sua recuperação.
Quando conseguiu levantar-se, abriu a porta da cabana e nem conseguia acreditar no que os seus olhos viam. Havia inúmeros animais, todos eles com asas, tal e qual como as do seu lobo.
- Onde estará o meu lobo? – questionou-se o rapaz.
O olhar inquieto do rapaz não passou despercebido a um aldeão que ali estava perto.
- Aquele lobo é teu?
- Ah! Está ali, o meu lobo! Sim, aquele lobo é meu! – respondeu o rapaz.
- Tu és o nosso Salvador! – exclamou o aldeão.
- Salvador!? Eu não sou Salvador de nada nem de ninguém! Que conversa é essa? Com quem me estais a confundir? Sou apenas um rapaz normal!
- Rapaz normal!? Vou levar-te ao nosso líder!
Quando chegaram frente ao líder, o rapaz identificou-o de imediato, era o homem vestido de branco que lhe tinha oferecido o lobo.
- Tu, finalmente, encontraste-nos! Nós somos a tua família!
Ao dizer aquelas palavras, o portão abriu-se e, quando o rapaz olhou para trás, viu os seus pais. Correu para eles, abraçou-os e contou-lhes a sua aventura, a sua mudança interior, pois o vazio sentido anteriormente, tinha desaparecido.
Uns dias mais tarde, quando acordou, tudo estava diferente à sua volta, havia buracos no chão, animais e pessoas feridos e casas destruídas.
- Ele chegou! – gritou o líder da aldeia.
No céu, por detrás das montanhas, surgiu um grande monstro a cuspir fogo. O rapaz, muito decidido, saltou para cima do seu lobo e voou atrás do monstro, atacando-o e conseguindo imobilizá-lo. Parecia que a batalha estava ganha, contudo o mostro juntou as suas últimas forças para atacar ferozmente o lobo atirando-o ao chão, onde embateu com enorme violência. O rapaz foi sacudido das costas do lobo, tendo ido parar ao ribeiro. O rapaz não sofreu ferimentos, mas o lobo acabaria por morrer.
Os aldeões juntaram-se no centro da aldeia, onde cantaram e dançaram em homenagem ao lobo que deu a sua vida em defesa de todos os que ali viviam.





Título: Viagens reais e virtuais
Autor: Camila Veloso
No regresso às aulas, após a interrupção da Páscoa, o tema da conversa das minhas amigas era a viagem que tinham feito à Disneyland Paris. Aproveitavam os intervalos e a hora do almoço para contarem pormenorizadamente todas as suas aventuras. O seu entusiasmo era tão grande que contagiavam os colegas e, rapidamente, se popularizaram à custa da viagem feita.
Como os meus colegas, também eu fiquei com vontade de fazer a mesma viagem…bem, não sei bem se era de fazer a viagem se era de ter a popularidade das minhas colegas…
Um dia, quando cheguei a casa, perguntei à minha mãe:
- Mãe, podemos ir à Disneyland Paris, nas férias de verão?
- O quê!? No verão? E logo no verão!! Deve ser um preço jeitoso!!!
- Então, podemos ir no próximo ano pela Páscoa?
- Ó filha, não tens noção do dinheiro que íamos gastar! Não temos dinheiro para uma viagem dessas, seja em que altura do ano for!!!
- Sim, mas…
- Vai falar com o teu pai! – disse, cortando os meus argumentos.
- Pai, podemos ir à Disneyland Paris?
- Não!!! Íamos gastar muito dinheiro!!
- “Raios partam o dinheiro!”, pensei eu furiosa.
Fui para o meu quarto e atirei-me para a cama…com o olhar preso nas estrelas penduradas do meu candeeiro, adormeci…sonhei…
Quando acordei já não me sentia zangada, mas com uma curiosidade imensa em conhecer o parque temático Disneyland, em Paris. Fui para a minha secretária, liguei o computador e comecei a pesquisar. Após leitura de tudo o que encontrei, comecei a desenhar, a pintar e a escrever poemas sobre este parque temático e algumas das suas atrações. Foi assim que eu ocupei todos os meus tempos livres durante alguns meses.
No dia do meu aniversário, em outubro, ocupei parte da minha festa a mostrar o trabalho feito, o qual foi muito admirado por todos, amigos e familiares.
- Filha, sinto-me muito orgulhosa! És fantástica! – disse a minha mãe com os olhos a brilhar, repletos de lágrimas.
- Dá cá um abraço, filha! Amo-te muito! – disse emocionado o meu pai.
No dia seguinte, as minhas obras artísticas e literárias foram motivo de conversa nas aulas de português e de educação visual e tanto os professores como os meus colegas pediram para ver os trabalhos, o que eu prometi levar no dia seguinte.
Ao final do dia, quando regressava a casa, veio-me ao pensamento a minha grande vontade de ir à Disneyland Paris para ser popular entre os meus colegas. Com um sorriso nos lábios pensei: “Interessante! Afinal tinha conseguido popularidade pelo meu trabalho sem precisar de viajar!”.
- Cheguei! Quem está em casa?
- Chegaste, Rita! Tenho uma surpresa para ti! – gritou o meu irmão.
- Ah, sim! O que é?
- Senta-te aí e escuta! – ordenou o meu irmão.
Enquanto me sentei no sofá, o meu irmão puxou uma cadeira onde se sentou com a sua viola e começou a tocar e a cantar.
Eu nem queria acreditar, o meu irmão tinha musicado um dos meus poemas.
Quando acabou de interpretar o poema, levantei-me para lhe dar um abraço.
- Obrigada, mano! És um irmão 10 estrelas!
- Não, sou só 5 estrelas! Nós os dois juntos é que somos 10 estrelas!!!

- AH! AH! AH!

Título: O misterioso armário
Autor: Diana Barreto
 Tudo começou num dia que estava na Oficina da Escrita da minha escola perante uma folha de papel branco e caneta na mão. O desafio era escrever um texto original para participar no concurso “Uma Aventura Literária”. A professora sugeriu que escrevêssemos sobre algum episódio do dia a dia, mas com pinceladas de imaginação, de criatividade e de fantasia.
Só tinha cinquenta minutos para o fazer. Tinha de ma apressar, contudo, por muito que me esforçasse, nada me surgia na cabeça. Dei por mim a olhar para o relógio a ver os ponteiros a girar enquanto esperava que alguma ideia aparecesse. A professora, ao notar a minha falta de criatividade, abandonou a sala para “trazer inspiração”.
Estava, então, sozinha sem nada nem ninguém ao meu redor. A minha ausência de ideias deve ter afetado o meu cérebro, pois comecei a ouvir passos naquela sala solitária. Olhei para um lado…olhei para o outro, mas, naturalmente, nada vi. Ri para mim mesma até ouvir a porta do armário a abrir-se e a sair de lá um homem velho, barbudo e com ar sábio. Ele perguntou-me se eu estava sem criatividade e eu, surpreendida, acenei afirmativamente com a cabeça. Ao ver esta minha resposta, convidou-me para entrar no armário. Esquecendo-me que estava na Oficina, aceitei entrar com ele.
Lá dentro, incrivelmente, havia um mundo cheio de cores, aromas, paisagens e pessoas. O amarelo de um sol radioso brilhava num azul limpo do céu; o campo verde de relva estava pintalgado com flores brancas e amarelas que eram beijadas por borboletas arroxeadas, rosadas e alaranjadas; junto à relva, passava um ribeiro de água cristalina, onde saltavam peixes vermelhos. Quanto aos aromas, o perfume da alfazema misturava-se com o da glicínia, do jasmim-do-imperador, do jasmim-estrela e o da terra molhada. De um lado escutava “Buzzz…Buzzz”, mais adiante “Coach…coach”, junto ao ribeiro, “Quac…quac” e mesmo perto de mim “cricri…cricri”. Até as pessoas, cada uma com as suas características, umas alegres, outras sisudas; umas com andar pausado, outras apressadas; umas solitárias, outras rodeadas de amigos…
Fiquei encantada a contemplar a diversidade de energias existentes dentro do armário. Apressei-me a anotar tudo no bloco que a professora nos tinha oferecido no início do ano para registarmos ideias, escrevermos listas de palavras do que víamos, ouvíamos ou sentíamos.
Porém, o senhor não me deixou ficar naquele sítio muito tempo. Em vez disso, conduziu-me para uma árvore de folhas amarelas, tronco e ramos grossos. Com agilidade, trepou-a até um dos ramos mais alto. Quando reparou que eu não estava junto dele, convidou-me a segui-lo. Fiquei a olhar para ele hesitante, mas ele lançou uma corda forte para que eu não estivesse tão receosa na subida. Agarrei nela e subi à árvore mais facilmente do que imaginara.
Assim que o alcancei, sentei-me à sua frente. O velho senhor estendeu-me uma das folhas da árvore. Depois pediu-me que eu a amachucasse e a agarrasse com as duas mãos. Ao fazê-lo, uma imensidão de ideias e imagens surgiram na minha cabeça. A cada segundo, surgiam mais e mais e todas elas ficavam guardadas na minha memória.
Não sei ao certo durante quanto tempo ali fiquei sentada à frente de um sábio no cimo de uma árvore. Só sei que, quando recuperei a noção do tempo e do espaço, estava sentada na sala da Oficina da Escrita a olhar para o armário.
Poucos segundos depois, entrou a professora carregada de livros:
- Diana, trouxe alguns livros bastante sugestivos. Se quiseres, esta semana pode ser de leitura e na próxima escreves, então, o texto. Que te parece?
- Não é preciso, professora!