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11.1.16

Galileu à luz de uma estrela

 
"A maior sabedoria que existe é alguém conhecer-se a si próprio", Galileu Galilei.

É com este pensamento que José Jorge Letria inicia a sua obra Galileu à luz de uma estrela.

Logo a seguir, começa a narrativa que foi ilustrada por Afonso Cruz.

"Sou uma estrela muito brilhante e longínqua que tem uma história para te contar. E não é uma história qualquer. É a história de um homem muito especial, que viveu há muitos anos e que, na escuridão das noites frias, gostava de observar as estrelas distantes como eu e de conversar com elas baixinho, para ninguém poder ouvir aquilo que diziam entre si na imensidão do Universo.
Não sou uma estrela do futebol, da música ou do cinema, daqueles que andam sempre a fugir dos fotógrafos que as perseguem por toda a parte. Sou uma estrela do firmamento, semelhante àquela que todos os dias te ilumina e aquece e que se chama Sol. Conheço-o muito vagamente, porque vivemos a uma enorme distância uma da outra, já que, no Universo, todas as distâncias são enormes e é difícil termos vizinhos e conviver com eles porque moram sempre demasiado longe.
Neste momento, imagino que estejas já a perguntar o que faz aqui uma estrela a tentar conversar contigo e quem é esse homem muito especial cuja história eu anunciei que queria contar-te".
(...)

Este é apenas um trecho da obra Galileu à luz de uma estrela, existente na biblioteca.

6.1.16

Esdrúxulas, graves e agudas, magrinhas e barrigudas



"O acento agudo que queria ser til"
 
"Era uma vez um acento agudo que sonhava ser til e por isso passava o dia deitado e a andar com a barriga para cima e para baixo.
Nós, os outros acentos, bem podíamos puxá-lo, empurrá-lo, incliná-lo para a direita. Mas nada. Fomos até buscar palavras lindas como CAFÉ, BARNABÉ, JACARANDÁ, TRISAVÓ, PÃO-DE-LÓ...
Mal o púnhamos ao alto da palavra, na posição certa, ele deixava-se cair e lá se punha a andar com a barriga para cima e para baixo, mais parecia as bossas de um camelo a caminhar no deserto.
- Eu quero ser um til! - dizia ele.
- Mas não és! Tu és um acento agudo como o teu pai e a tua mãe.
- Não me interessa nada disso! Já disse que quero ser um til e vou treinar até ser mesmo um til.
Era mesmo teimoso o raio do acento agudo! E é claro que não conseguia ser um til porque, mal subia para cima de palavras como CAMÕES, PANTALEÃO, ou GUIMARÃES, ESCORREGAVA e vinha parar ao chão.
Mesmo assim não desistia. Barriga para cima, barriga para baixo, treinava sem parar, sempre com o sonho impossível de vir a ser um til.
Um dia, estava o nosso acento agudo a treinar, barriga para cima, barriga para baixo, quando viu aproximar-se uma minhoca verde linda. Vinha a minhocar tal e qual como ele, barriga para cima, barriga para baixo...
O acento agudo piscou o olho à minhoca verde. Ela sorriu-lhe timidamente a apaixonaram-se perdidamente um pelo outro.
Pouco tempo depois, o acento agudo desistiu de ser um til e pediu a minhoca verde em casamente.
Casaram-se, foram felizes para sempre e tiveram vários filhos a quem deram os nomes de Gastão, Sebastião, Simão e João".
 
 
Este é um dos contos da obra Esdrúxulas, Graves e Agudas, Magrinhas e Barrigudas, da autoria de José Fanha e com ilustrações de Afonso Cruz, livro que poderão encontrar na Biblioteca.