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23.3.14

Recordando António Gedeão...


Ao vigésimo terceiro dia do mês de março, escolhemos um poema de António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho.

Lágrima de preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.


Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em caso que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

Também vos deixamos este poema cantado por Manuel Freire.






Quanto ao poema dos alunos, selecionámos um da Madalena Marques, aluna da T.5 da E.B. de São Domingos.
Este poema foi construído a partir das sensações transmitidas pela pintura "O Jardim" de Joan Miró.

O Desentendimento no Jardim


Os papás a discutir
Enquanto o bebé está a dormir.
Lá fora o cão a brincar
E o gato a miar.
O canário de castigo
Com o seu amigo.
O arco-íris a aparecer
E as crianças a ver
Apareceu um feiticeiro
A fazer bolas do amor
Que atingiu os papás
E pararam de discutir.




16.3.14

Um poema de Susana Maria Júlio

Há Riscos que ficaram no tempo, como os poemas de Susana Maria Júlio publicados pela Editora Som da Tinta.

Ouviste?
Sou um anjo triste
que perdeu a sua voz.
Não me vês.
Mas sou eu
quem te dá a mão
quando estás a sonhar.
Não me sentes.
E sou eu quem te molda
e faz nascer,
do barro
que deixei
há muito tempo atrás.
A tua vida
corre com os meus dedos
uma estrada por caminhar.
Ainda não me ouves?
Não faz mal
A felicidade espera
por quem sabe sonhar.




Para reconstituir o quadro de Miró clique aqui
Em relação ao poema do aluno, selecionámos um da Inês Laureano, aluna da T.6 da EB de São Domingos.
Para o ilustrar, uma pintura de Joan Miró.


Eu sou um pintor


Eu sou um talentoso pintor
e desenhei um bonito tambor
que foi escolhido por um cantor
muito, muito, muito sonhador.

27.2.14

Concurso "Faça lá um Poema" - Vencedores do Agrupamento


A fim de ser selecionado um poema, por ciclo, para submissão ao concurso "Faça lá um poema" reuniu na Biblioteca Escolar da Alexandre Herculano, no dia 26 de fevereiro, o júri criado para o efeito. 

Entre os trinta e três poemas do 1º ciclo, foi escolhido o poema  "A Escuridão" da autoria de Tiago Miguel Marques Figueiredo, aluno do 4º ano de escolaridade da Turma 5 da EB de São Domingos.
Este poema foi construído a partir da observação do quadro "Noturno" de Joan Miró.




A Escuridão

Estava escuro, uma escuridão
até que a formiga vaidosa
encontrou no chão
um instrumento de iluminação.

Era uma bela estrela cheia de tristeza
em cima de uma pequena mesa.
A estrela não conhecia ninguém
e contou que caiu numa noite
do céu de Belém.

Também disse que para casa queria voltar
mas tinha partido uma asa
e ao céu não podia regressar.

Então, os insetos ofereceram-se para ajudar
Juntaram-se todos a trabalhar
para uma asa formar
e com ela a estrela poder voar.

Quando chegaram a Belém
a estrela agradeceu
e uma casa lhes ofereceu.

Esta história noturna
não é para esquecer
mas sim para lembrar
que qualquer ser se deve ajudar
sempre, sempre sem parar.


Entre os quarenta poemas do 2º ciclo, foi escolhido o poema "As palavras" da autoria de Ana Miguel Guimarães Ribeiro, aluna do 5º G.

As Palavras

As palavras são muitas
mais de dois milhões.
Algumas ficam guardadas
nos nossos corações.

As Palavras são tantas
que nem as sabemos contar
Umas vêm em prosa
outras a rimar.

Agora ficaram a saber
como as palavras são.
Umas são mais belas
outras menos belas são.