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16.3.24

"Há Poesia na Escola" - Comemoração do Dia Mundial da Poesia

 Com o Projeto Cultural de Escola pretendemos:

- "Implementar estratégias interativas e participantes, cujas ações assegurem a articulação curricular e integrem a dinâmica de várias linguagens".

- "Sensibilizar a comunidade educativa para o papel da arte na formação das crianças e jovens para a sua relação com outras áreas do saber".

A fim de cumprirmos estes objetivos, surgiu a iniciativa "Há Poesia na Escola" um olhar atento para o espaço escolar/conteúdos curriculares e descobrir poesia para posterior construção de poemas seguindo as mais variadas técnicas.

Como resultado desse trabalho, estará patente entre 20 e 22 de março a exposição "Há Poesia na Escola" nos estabelecimentos Alexandre Herculano, Mergulhão, Combatentes, Fontainhas e Choupal, onde se poderá apreciar as obras produzidas pelos alunos dos vários estabelecimentos. Ou seja, em cada estabelecimento, estarão expostas obras dos alunos dessa escola, assim como das restantes escolas participantes.



21.3.22

Experiências Poéticas

Celebrando o Dia Mundial da Poesia, a professora Elisa Mineiro desafiou a sua turma do 8ºC para uma experiência poética: construir um Haiku.

Sendo o Haiku uma poesia que valoriza a natureza, a aula foi fora da sala...




Foi sugerido aos alunos que expressassem os seus sentimentos pelo que fossem observando na natureza. Assim, foram tirando fotografias a pormenores da natureza e sobre os quais escreviam de seguida o Haiku.























Uma aula diferente em que os alunos desenvolveram a criatividade, a capacidade colaborativa, a capacidade de observação e de análise, assim como a comunicação e expressão escrita.

E, se no início se ouviram algumas vozes como "professora, não tenho jeito para poemas"; "professora, para a rua? E a minha alergia?"; "professora, eu não tenho inspiração para escrever" (...), o contacto com a beleza da natureza circundante contribuiu para que a inspiração fosse surgindo, o entusiasmo crescendo e, no final, já perguntavam se iam ter mais aulas como a de hoje.

Posteriormente, os haikus construídos pelos alunos e respetivas fotografias irão integrar a exposição do Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, efeméride que se comemora a 23 de abril. 

20.3.19

Dia Mundial da Poesia - 21 de março

No dia 21 de março comemora-se o Dia Mundial da Poesia.
Esta data foi criada na trigésima Conferência Geral da UNESCO em 16 de novembro de 1999.
Em Portugal, temos excelentes poetas que nos deixaram obra literária mundialmente conhecida.
Para comemorar esta data, equipa da biblioteca, alunos e docentes titulares de turma têm trabalhado em conjunto na preparação deste evento.
Na devida altura, a equipa da biblioteca divulgou o concurso de poesia sobre Santarém
Concorreram alunos do 1º ao 3º Ciclo.
Para os receber, os alunos do CAAG, do 7º A, 7º B, 7ºC e 9º E decoraram as escadas de acesso ao auditório, assim como o auditório. Os trabalhos realizados pelos alunos destas turmas foi feito nas aulas de Educação Visual, sob a preciosa orientação da docente Catarina Godinho.


Painel com extrato do poema do Rafael Raimundo, pintura de João Meireles e desenho das letras dos alunos do 7ºA e 9ºE

Extrato do poema da aluna Maria Inês Faria


Extrato do poema da Sofia Farinha

Quanto ao palco, só amanhã divulgaremos imagens...

Um grande obrigada às docentes Maria João Neves e Josefina Ferreira por todo este trabalho de preparação para a Noite da Poesia.
À docente Catarina Godinho, agradeço todo o trabalho de articulação que tem feito entre os projetos da biblioteca e os das turmas que leciona. Como sempre, surgem trabalhos fantásticos em que os alunos se envolvem desde o início.
Muitos parabéns!!!!

15.3.17

Recordando...Mário Cesariny de Vasconcelos

15 de março, dia para recordarmos Mário Cesariny de Vasconcelos, com o poema "Pastelaria".

Imagem pesquisada no site "Ensina RTP"

Pastelaria


Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade, rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora - ah, lá fora! - rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra.

Para ver o documentário sobre a vida e obra de Mário Césariny, basta clicar na imagem

Quanto ao jovem poeta, é André Santos com o poema "O gato pintado".

O gato pintado

O gato pintado
de cauda comprida
pelo enrolado
de pele bonita.

Gato manso
focinho encantador
dá grande avanço
é um autêntico predador.

Gato veloz
adora ração
Faz tudo por nós
é forte com um leão.

Gato inteligente
está no nosso coração.
Sempre obediente
Obedecem ao capitão.

14.3.17

Recordando...Miguel Torga

Hoje, 14 de de março, relembramos Miguel Torga com o seu poema "Súplica".

Imagem pesquisada na página Miguel Torga Dominators
Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz
Deixa-me ser feliz.
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tem po passou
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Quanto ao nosso jovem poeta, é André Santos com o poema "A Terra".

A Terra

A Terra
é um lugar maravilhoso
lá, ao pé da serra,
um sítio fabuloso.

Um planeta brilhante
rodeado pela atmosfera,
tanto como um diamante
ou o sorriso de uma fera.

Na noite celeste
a Terra habita
Tanto a este como a oeste
uma zona bonita.

Nesta Terra extraordinária
há um mundo cheio de sonhos
uma região imaginária
que não é feita para os medonhos.

                            André Santos
                            EB de São Domingos





13.3.17

Concurso "Faça lá um Poema" - um 2º lugar para o Agrupamento Alexandre Herculano

Com intenção de incentivar o gosto pela leitura e pela escrita e no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Poesia, o Plano Nacional de Leitura (PNL) e a Fundação Centro Cultural de Belém (CCB) convidaram as escolas a participar no concurso "Faça lá um Poema".
Foi neste âmbito que as Bibliotecas Escolares promoveram o concurso e tiveram a responsabilidade de selecionar os poemas que representaram o Agrupamento Alexandre Herculano, ao nível do 1º, 2º e 3º ciclos.
Hoje tivemos a alegria de saber que ao nível do 1º ciclo obtivemos um 2º lugar com o poema "Um pardal especial" da autoria de Sofia Inês Mendes Farinha, aluna do 3º ano da Escola Básica de Fontainhas.

Um pardal especial

No outro dia, vi um pardal
No meu quintal!
Não era igual a qualquer outro pardal...
Senti que era especial.

Saltava de flor em flor
Chilreava, cantava...
No quintal cheio de cor,
Todo o dia brincava.

De noite, dormia,
Sonhava em voar!
Brincava durante o dia,
Até se cansar!

Era um pequeno pardal
Pequenino...sem igual.
Sabem por que era especial?
Porque morava na minha flauta transversal.


Parabéns à Sofia, à professora e à família!

Recordando...José Carlos Ary dos Santos

Hoje, 13 de março, recordamos José Carlos Ary dos Santos com o poema "Cavalo à Solta".

Cavalo à Solta

Minha laranja amarga e dce
Imagem pesquisada no site "Agenda Cultural de Lisboa"
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente  gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr conta a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo ama amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do mendigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.






Quanto ao nosso jovem poeta, é o Rafael Raimundo, com o seu poema "Porque arde o amor?"

Porque "arde" o Amor?

Se "Amor é fogo
Que arde sem se ver",
Porque nos aleijamos
Quando começamos a arder?

O Amor é um prazer
Nós vivemos para o querer
E lutamos para o ter...
E isso é que é viver!

O Amor salva-nos da tristeza.
Sem ele, não éramos nada.
E, como costumo dizer,
"Amar não é maçada!"

Mas o Amor "arde"
"Arde" quando tem de ser.
Por isso tratamo-lo com cuidado
Para nunca, mas nunca o perder.

                  Rafael Raimundo
                  EB Alexandre Herculano

12.3.17

Recordando António Nobre...

António Nobre foi o poeta escolhido para recordarmos, hoje, dia 12 de março, com o seu poema "o teu retrato"
Imagem recolhida na página Tertúlia Bibliófila

O teu retrato

Deus fez a noite com o teu olhar
Deus fez as ondas com os teus cabelos;
com a tua coragem fez castelos
Que pôs, como defesa, à beira-mar.

Cm um sorriso teu, fez o luar
(Que é sorriso de noite, ao viandante)
E eu que andava pelo mundo errante,
Já não ando perdido em alto-mar.

Do céu de Portugal fez a tua alma!
E ao ver-te sempre assim, tão pura e calma,
Da minha Noite, eu fiz a Claridade!

Ó meu anjo de luz e de esperança,
Será em ti afinal que descansa
O triste fim da minha mocidade!



Quanto ao jovem poeta, é uma poetisa, escolhemos a Isabel Cassandra Gueto, com o seu poema "Zebra".

Zebra

Zebra com bolinhas
Tem cara de pintinhas,
Orelhas pequeninas.
Brinca com as suas amigas!
Zebra bonita
É muito altita
Não é egoísta.
Zebra catita!
Zebra insistente!
É muito alta,
É muito pernalta!

              Isabel Cassandra Gueto
              EB São Domingos

11.3.17

Recordando Adriano Correia de Oliveira...

Hoje, dia 11 de março, recordamos Adriano Correia de Oliveira com o seu poema "Menina dos olhos tristes".

Menina dos olhos tristes

Menina dos olhos tristes
Imagem pesquisada no site RTP
o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Vamos senhor pensativo
olhe o cachimbo a apagar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Senhora de olhos cansados
porque a fadiga o tear
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

Anda bem triste um amigo
uma carta o fez chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar

A lua é viajante
é que nos pode informar
o soldadinho já volta
está mesmo quase a chegar

Vem numa caixa de pinho
do outro lado do mar
desta vez o soldadinho
nunca mais se faz ao mar.






Em relação ao jovem poeta, escolhemos um poema de João Nascimento.

O Amor

O Amor é como o fogo
É difícil de apagar.
Mas há quem consiga
com ele acabar.

Quando amamos alguém
É como se fosse o sol
Traz felicidade e alegria
e ilumina o nosso dia.

O amor é invisível
Contamina qualquer um.
Nem o menos sensível
Passa por esse jejum.

                  João Nascimento
                  EB Alexandre Herculano

10.3.17

Recordando Alexandre O´Neil...

Hoje, da 10 de março, recordamos Alexandre ONeil com o seu poema " Amigo".

Amigo
Imagem retirada da página "Citador"

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra "amigo"
"Amigo" é um sorriso
De boca em boca
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

"Amigo" (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos  detritos?)
"Amigo" é o contrário de inimigo!

"Amigo" é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
"Amigo" é a solidão derrotada!

"Amigo" é uma grande tarefa
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
"Amigo" vai ser, é já
uma grande festa!

Em relação aos jovens poetas, escolhemos o André Santos com um poema que escreveu dedicado ao seu amigo Afonso.

"O meu Amigo Afonso"

O Afonso é extraordinário
É forte e corajoso
Tem ar de lendário
Um sorriso maravilhoso.

O Afonso dá para liderar
Sabe jogar à apanhada
Gosta de brincar
E tem muita piada.

O Afonso é bom estudante
Um pouco falador
Um menino brilhante
E muito pensador.

                      André Santos
                      EB São Domingos

9.3.17

Recordando Alexandre Herculano...

Hoje, dia 9 de março, recordamos Alexandre Herculano...

Imagem retirada do blogue da RBE

"Alexandre Herculano de Carvalho Araújo (1810-1877) foi poeta, romancista, historiador e ensaísta. Atravessa a sua obra uma profunda coerência, seguindo um programa romântico-liberal que norteou não apenas o seu trabalho mas também a sua vida (...)"
                                                      Extraído do site Ensina RTP


A Voz

É tão suave ess'hora,
Em que nos foge o dia,
E em que suscita a Lua
Das ondas a ardentia,

Se em alcantis marinhos,
Nas rochas assentado
O trovador medita
Em sonhos enleado!

O mar azul se encrespa
Coa vespertina brisa,
E no casal da serra
A luz já se divisa.

E tudo em roda cala
Na praia sinuosa,
Salvo o som do remanso
Quebrando em furna algosa.

Ali folga o poeta
Ños desvarios seus,
E nessa paz que o cerca
Bendiz a mão de Deus.

Mas despregou seu grito
A alcíone gemente
E nuvem pequenina
Ergueu-se no ocidente:

Ali folga o poeta
Nos desvarios seus,
E nessa paz que o cerca
Bendiz a mão de Deus.

Mas despregou seu grito
A alcíone gemente
E nuvem pequenina
Ergueu-se no ocidente:

Para continuar a ler o poema clique aqui (...)

Em relação ao nosso jovem poeta, é Rafael Vieira que escreveu o poema "A minha Família"

A minha Família

Desde que nasci
Eu já percebi
Que a minha Família
é o melhor que está aqui.

Sempre a ajudar
E não conseguem parar
mas quando é preciso
também sabem ralhar.

O que eu mais odeio
é quando me obrigam a estudar
mas eu compreendo
é para eu passar.

A minha Família
inscreveu-me no futebol
Talvez um dia
eu seja como Puyol

A minha família
é muito especial
pois tem um grande
gosto cultural.

Na minha festa de anos
recebi uma grande surpresa
quando eu entrei em casa
parecia da realeza.
Tão bonito, tão elegante
parecia um comandante.

Nesse momento estava
com muita alegria
quando entrei na sala
eu até gemia
com a quantidade
de presentes que via.

No Natal
Natal,muito eu esperava
e quando olhava
para a Árvore de Natal
até pasmava.

Na Páscoa,
uma partida me pregavam
escondiam os ovos
e eu é que os procurava.

No Dia de São Valentim
a minha família
ajuda-me a comprar
os presentes para
à minha namorada entregar.

No dia de São Martinho
castanhas eu comia
e quem é que as comprava?
A minha família.

Como viram, da minha família
há muito para dizer
se eu continuasse
cansava-me de escrever.

Obrigado, Pai,
Tio, tia, Avó, Avô!
Desculpem-me,
mas o poema acabou!

                  Rafael Vieira
                  EB Alexandre Herculano





8.3.17

Recordando Florbela Espanca...

Imagem retirada do site "Ensina RTP"

Hoje, dia 8 de março, recordamos Florbela Espanca com o seu poema "Desejos Vãos".

Desejos Vãos

Eu queira ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!
Eu queria ser o sol, a luz imensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até a morte!
Mas o Mar também chora de tristeza...
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!
E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras...essas...pisa-as toda a gente!...

                          Florbela Espanca


Quanto ao jovem poeta, escolhemos a poetisa Maria Leonor Henriques, com o seu poema "A Lua"

A Lua

A Lua é distante
Fica ao pé de um gigante,
Ao lado do seu amante,
Ela é tão brilhante.

A Lua é maravilhosa,
É muito gostosa,
É um pouco maldosa,
Mas é uma mariposa.

A Lua está pintada,
De uma cor amarelada,
Por muitos é amada
E por outros detestada.

                            Maria Leonor Henriques
                            EB São Domingos



7.3.17

Recordando Vasco Graça Moura...

Vasco Graça Moura foi o poeta escolhido para hoje, dia 7 de março.

as meninas
Imagem retirada do site "Escritas"

as minhas filhas nadam. a mais nova
leva nos braços bóias pequeninas,
a outra dá um salto e põe à prova
o corpo esguio, as longas pernas finas:

entre risadas como serpentinas
vai como uma formosinha numa trova,
salta a pés juntos, dedos nas narinas,
e emerge ao sol que o seu cabelo escova.

a água tem a pele azul-turquesa
e brilhos e salpicos e mergulham
feitos pura alegria incandescente.

e ficam, de ternura e de surpresa,
nas toalhas de cor em que se embrulham
ninfinhas sobre a relva, de repente.

             Vasco Graça Moura


Quanto ao nosso jovem poeta, é o André Santos com o poema "O menino escondido"

O menino escondido

Pobre menino
Sempre a fugir
Calado no seu canto
Nunca a sorrir.

Pobre menino
Longe desta gente
Não tem amigos,
É inconsciente.

Pobre menino
Está sempre em paz
Sempre sozinho
Sem capataz.

         André Santos
        EB São Domingos

6.3.17

Recordando David Mourão-Ferreira...

David Mourão-Ferreira, o poeta recordado, hoje, dia 6 de março, com o seu poema "Paisagem".


Paisagem
Imagem recolhida no site "Ensina RTP"

Desejei-te pinheiro à beira-mar
para fixar o teu perfil exacto.

Desejei-te encerrada num retrato
para poder-te contemplar.

Desejei que tu fosses sombra e folhas
no limite sereno dessa praia.

E desejei: " Que nada me distraia
dos horizontes que tu olhas!"

Mas frágil e humano grão de areia
não me detive à tua sombra esguia.

(Insatisfeito, um corpo rodopia
na solidão que te rodeia.)

          David Mourão-Ferreira


Quanto ao nosso jovem poeta, ou melhor, poetisa, é a Sara Domingos com o seu poema "A Festa das Emoções".

A Festa das Emoções

A Raiva quis dar uma festa,
Mas quem seriam os convidados?
Seria na clareira da floresta,
Na floresta dos Afortunados.

Começou por convidar o Ciúme,
Mas este estava com inveja do Amor.
O Amor usava um perfume,
Que lhe causava imenso calor.

A Amizade aceitou de imediato,
Com Bondade e Carinho,
Mas logo lembrou a Raiva,
Que tinha de levar um miminho.

Muito alegre com o convite ficou a Felicidade,
Mas estava zangada com o Medo,
O Medo não queria ir,
Pois não gostava do arvoredo!

A Tristeza não parava de chorar,
A Raiva tinha-lhe dito que não a convidava.
Mas logo veio a Surpresa,
Dizendo que nada a incomodava.

Espantado com a festa ficou o Arrependimento
Mas com pena da Tristeza,
Não podia faltar
Àquele momento!

A floresta dos Afortunados
Encheu-se de Emoções,
A festa foi de arromba
Encheram-se corações.

Corações que juntos batam num só,
Com paixão e sentimento,
Pois estão dentro de nós,
Em todo e qualquer momento.

                          Sara Domingos
                          EB Fontainhas




5.3.17

Recordando Sophia de Mello Breyner Andresen...

Hoje, dia 5 de março, recordamos Sophia de Mello Breyner Andresen.

As pessoas sensíveis
Imagem pesquisada no site "Centro Virtual Camões"

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas.

O dinheiro cheira a pobre e cheira
à roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra.

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão"

Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito

Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

                        Sophia de Mello Breyner Andresen


Quanto ao jovem poeta, é Rui Carvalho com o seu poema "Amar!"


Amar!

Eu gosto de alguém,
que muita sabedoria contém.
Eu gostava de com ela namorar
mas para isso vou ter de esperar.

Eu quero-a ajudar,
pois é assim que ela pode gostar.
Para isso vou estar no seu lado,
para poder ser seu namorado.

Esta paixão
que eu sinto no meu coração
ela explodiu
quando essa pessoa me mentiu.

Moral da história:
Se alguém queres ajudar,
amizade e amor vais ter de mostrar.
Essa pessoa vai perceber
que amor queres receber!

                          Rui Carvalho
                          EB Alexandre Herculano



4.3.17

Recordando Eugénio de Andrade...

Imagem recolhida no site Escritas
Eugénio de Andrade é o poeta que recordamos, hoje, dia 4 de março.

Canção

Tinha um cravo no meu balcão;
veio um rapaz e pediu-mo
- mãe, dou-lhe ou não?

Sentada, bordava um lenço de mão;
veio um rapaz e pediu-mo
- mãe, dou-lhe ou não?

Dei um cravo e dei um lenço,
só não dei o coração;
mas se o rapaz mo pedir
- mãe, dou-lho ou não?
                        Eugénio de Andrade


Quanto ao nosso jovem poeta, é uma poetisa, a Madalena Santo da Escola Básica de Fontainhas, com o poema

" A minha vida"

Passo a vida a brincar
Ajuda-me a voar e a sorrir
Posso correr e saltar
Tenho muito para descobrir

Na escola aprender
várias coisas importantes
Contar, escrever e ler...
Aprender a crescer...

Posso saltar, brincar e cantar
Aprender que o amor é importante
Aos meus amigos fazer o bem
Ser verdadeira será o bastante.

Quando crescer logo se verá...
Não tenho pressas nem medos
Quero aproveitar o que a vida me dá
Sem tristezas, receios e segredos...

                        Madalena Santo
                        EB Fontainhas





3.3.17

Recordando Manuel Maria Barbosa du Bocage...

Nascemos para Amar

Imagem retirada do site Wikimedia Commons

Nascemos para amar; a Humanidade

Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura.
Tu és doce atractivo, ó Formosura,
Que encanta, que seduz, que persuade.

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão na alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.

Qual se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre:
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.

Bocage, in 'Sonetos'
Imagem retirada do site Ensina RTP onde se pode obter mais informações sobre este poeta


Quanto ao jovem poeta,  é o André Santos com o poema "O perigo".

O perigo

O perigo 
é feito de maldade
está comigo e contigo
corta os laços de amizade.

O perigo está em todo o lado.
Está aqui e ali.
Se o vires não fique calado
foge porque está ao pé de ti.

O perigo é veloz
é o contrário de segurança.
Ele está entre nós
e vai fazer vingança.

O perigo é assustador
muitos não lhe resistem
ele é destruidor
para aqueles que o assistem.
                          André Santos
                    EB de São Domingos

2.3.17

Recordando Vitorino Nemésio...

Hoje, 2 de março, recordamos Vitorino Nemésio...

Imagem retirada do site Almanaque Republicano

A Tempo

A tempo entrei no tempo,
Sem tempo dele sairei:
Homem moderno,
Antigo serei.
Evito o inferno
Contra tempo, eterno
À paz que visei.
Com mais tempo
Terei tempo:
No fim dos tempos serei
Como quem se salva o tempo.
E, entretanto, durei.

                             Vitorino Nemésio



Foi em verso que Odylo Costa Filho retratou Vitorino Nemésio.

Retrato de Vitorino Nemésio

Era um homem das ilhas, dos Açores,
que tocava violão. Tocava bem.
Talvez faltassem todos os rigores
do virtuosismo artístico. Porém

nesse improviso havia tal encanto,
tal à vontade, que era, na verdade,
como se a gente lhe escutasse um pranto,
um grito, uma alegria, uma saudade...

E havia tanto que aprender com ele!
Era um amigo sem comparação...
Contava tudo. Até de uma cabrinha

falou num verso...Que poeta aquele!
De repente me vem do coração
a última vez de sua mão na minha.


Quanto ao jovem poeta, escolhemos Rafael Vieira e o seu poema "O Amor".

O Amor

O amor! Quem o sente,
esquece-se logo da dor!
O amor é o que nos faz sonhar,
para podermos começar a namorar.

É rápido: só um olhar
e depois vamos para casa cantarolar
É "não querer mais do que bem querer"
Pois, mas é difícil de dizer.

Agora o poema vai acabar.
Eu sei que não queriam,
mas tem de terminar.

                        Rafael Vieira
                    EB Alexandre Herculano

1.3.17

Março, mês de poetas e de poetisas

Na 30ª Conferência  Geral da UNESCO, a 16 de novembro de 1999, foi decidido celebrar-se o Dia Mundial da Poesia no dia 21 de março.
Com esta celebração pretende-se uma reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas de cada pessoa.
Incentivando a livre criação de ideias, as Bibliotecas Escolares têm contribuído para que as crianças e jovens participem em concursos de escrita, nomeadamente no "Faça lá um Poema" e "Textos de Amor".
Foram vários os textos participantes, pelo que vamos aproveitar o mês de março para divulgar os poemas.
Assim, diariamente, apresentaremos dois poemas: um de um poeta, cuja obra literária seja já conhecida e outro de um aluno do Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano.

Escrito num livro abandonado em viagem
Venho dos lados de Beja.
Vou para o meio de Lisboa.
Não trago nada e não acharei nada.
Tenho cansaço antecipado do que não acharei,
E a saudade que sinto não é nem no passado nem no futuro;                 
Deixo escrita neste livro a imagem do meu desígnio morto:
Fui, como ervas, e não me arrancaram.

                                                           Fernando Pessoa




As novas tecnologias

          As novas tecnologias viciam
          O cérebro quer mais
          Mas não podemos deixar
         Os nossos animais.

                                                        Estas tecnologias viciam
                                                        A pessoa só quer jogar
                                                        Mas o mais importante
                                                        É para a escola estudar.


          Apesar das pessoas atrapalhar
          As tecnologias podem ajudar
          Mostrar as horas e ouvir música
          Mas não podemos abusar.

                                                          Telemóvel e computador
                                                           Tablet e televisão
                                                           Esses meios poderão
                                                           Causar má visão.



                                                                                       Mas no final disto tudo
                                                                                       Eu queria relembrar
                                                                                       que as tecnologias só fazem mal
                                                                                       se muito tempo as usar.

                                                                                                                João Nascimento
                                                                                                                EB Alexandre Herculano

         





20.3.16

"Nunca precisámos tanto de poesia", mensagem de Nicolau Santos


https://www.spautores.pt/destaques/mensagem-da-spa-para-o-dia-mundial-da-poesia-21-de-marco
Imagem e texto retirado da página da SPA
Amanhã, 21 de março, comemora-se o Dia Mundial da Poesia, pelo que deixamos aqui o registo da mensagem da Sociedade Portuguesa de Autores da autoria de Nicolau Santos.


NUNCA PRECISAMOS TANTO DE POESIA


Não sei o que é boa ou má poesia, assim como não sei o que é um bom ou mau quadro. Sei a poesia de que gosto e a de que não gosto. Sei que todos os grandes poetas tem alguns poemas que me deixam completamente indiferente e sei de maus poetas que tem pelo menos um poema que me toca. Sei de quem sabe burilar as palavras e de quem só as coloca em tosco. Sei de quem sabe tirar leite das pedras e de quem nunca lhes descobre a magia. Sei que a poesia nunca será reduto só de uns, deixando à porta os refugiados da palavra. Não conheço o jardim onde nascem os poemas nem o cemitério onde se enterram os maus poetas.
Sei que a poesia é a tradução dos sonhos, uns melhores, outros piores, uns excepcionais, outros banais. O sonho da evasão, do impossível, do intangível. O sonho de podermos voar. Eu, quando morrer, gostava de voar em direção ao meu país perdido, que eu sei que ainda existe algures a sul, mesmo que os donos do país que lá existe, e que já não é o meu país, me tenham proibido agora de ter a nacionalidade do meu país. Mas isso já aconteceu a tantos poetas, dos verdadeiros, dos bons, dos grandes e eu não sou poeta…
Além disso, como sublinha o Manuel António Pina, não importa onde os poemas são escritos porque eles estão dentro de nós e nós pertencemos sempre ao mesmo sítio embora possamos estar noutros sítios, muito longe do sítio a que pertencemos.
Gosto de aeroportos, porque aí começam muitos sonhos. Todas as pessoas deviam ter um aeroporto dentro de si. Assim como há a literatura de aeroporto, também deve existir a poesia de aeroporto dentro de nós. É quando os poetas ou simplesmente os escrevinhadores de poemas encontram alguém que os ensina a pendurar-se nas estrelas e a deixar voar o pensamento para lá de todas barreiras humanas, deixando atrás de si um rasto do pó brilhante das galáxias.
Também gostava de estar sentado numa nuvem a dar pontapés na Lua, como dizia o Mário-Henrique Leiria. É assim que devíamos viver a vida toda e não a calcular o PIB, e o défice, e a dívida, e o quantitative easing, e as taxas de juro, e a taxa de desemprego, e a confiança dos investidores e dos consumidores, e a actividade empresarial. A poesia nunca entra nas reuniões da Comissão Europeia, e do Eurogrupo, e do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional.
E no entanto eles torturam as palavras, tentam que abdiquem da poesia que está dentro delas para que elas nos cheguem amaciadas, tranquilizadoras, anestesiantes, não vá termos algum sobressalto cívico e as coisas não correrem como eles querem. Depois, há muitas pessoas que vão às televisões dizer-nos palavras que têm outros significados. Falam-nos em reestruturação e querem dizer encerramentos de empresas, agências de bancos, serviços. Falam-nos em rescisões por mútuo acordo e querem dizer despedimentos. Falam-nos em racionalização dos serviços públicos e querem dizer que vamos ter menos apoios sociais e um Serviço Nacional de Saúde pior por falta de meios. Falam-nos em resolução e é mais um banco que vamos ter de pagar. Falam-nos em procurar oportunidades de emprego e é para a emigração que nos estão a enviar.
Como diz a Filipa Leal, a Europa continua a fazer contas – quem deve, quem empresta, quem paga – enquanto os seus filhos têm fome e sono e medo do escuro. “Eu acreditei em ti / e tu roubaste-me o futuro e o dos meus irmãos”, escreve ela – e eu subscrevo. E os poetas, todos os poetas subscrevem. Esta não é a Europa solidária sonhada pelos pais fundadores. Esta não é a Europa das luzes, da cultura, do progresso e da modernidade. Esta Europa é mesquinha e gerida por mangas de alpaca com dedos sujos da tinta com que passam os cheques e unhas compridas de avidez. Nesta Europa não há espaço para sonhos, para a imaginação, para o indizível, o extraordinário, o intangível. Nesta Europa, a poesia não tem lugar à mesa.
A poesia não traz qualquer mais-valia, nem faz subir os índices na bolsa, nem paga ordenados de luxo. Não há nenhum poeta que tenha ficado rico em termos materiais a escrever poesia. Ao contrário, há muitos poetas que morreram na miséria. A poesia só atrapalha a vida dos que não querem saber para nada da poesia. A poesia só inquieta os que querem a vida sem qualquer poesia. A poesia não contribui para o aumento da riqueza nacional medida pelas estatísticas, mesmo que já tenha sido inventado o PIB medido em termos da felicidade. Mas esse nunca entra nas contas dos credores, dos investidores, dos banqueiros, dos empresários, dos corretores, dos mercados.
E no entanto nunca precisámos tanto de poesia. E no entanto a crise e o ajustamento e a austeridade e a troika e a subida de impostos e o corte de salários e a vida cada vez mais cara e difícil e o desemprego e a emigração e o péssimo futuro da Nação, nada, mas mesmo nada conseguiu impedir que a poesia renascesse por toda a parte. Há cada vez mais poesia e mais poetas. Bons, maus, assim assim, excepcionais, medíocres. Há cada vez mais bares e teatros e cinemas e restaurantes e anfiteatros onde se diz poesia. Há cada vez mais livros de poesia de editoras com nome, sem nome ou de vão de escada. À medida que o PIB encolhe e a pobreza envergonhada aumenta temos cada vez mais necessidade de poesia. Para dizer não aos mandantes, dizer não aos executantes dos mandantes, para escapar à padronização que nos querem impor, para fintar o destino a que nos estão a acorrentar e para lhes provar que podem confiscar tudo – menos domar o nosso espírito, a nossa liberdade de criar, a nossa vontade de sonhar.
Sim, eles têm tudo e nós só temos as mãos cheias de nada. Mas o que eles têm vale muito pouco quando as palavras se juntam em torno da poesia. É essa rebeldia que eles temem, a rebeldia das palavras que não controlam, a rebeldia dos poemas que escapam para a rua e vão de casa em casa acordar a consciência de cada um, e dar-lhes esperança, e anseios, e vontade de mudar. Eles querem-nos fracos de corpo mas sobretudos fracos de espírito. Querem-nos mansos e subservientes, agradecidos e obrigados. Mas não conseguem travar a poesia. É ela que nos alimenta, é a nossa seiva, o nosso húmus, é ela que faz com que “os braços dos amantes escrevam muito alto / muito além do azul” (Mário Cesariny) todas as palavras-sonho, todas as palavras-esperança que eles não querem que sejam escritas, todo um futuro diferente daquele que estão a preparar para nós.
Apetece gritar-lhes muito alto, como fez Natália Correia: “Ó subalimentados do sonho / A poesia é para comer!”. Viva a Poesia!
Nicolau Santos
Jornalista, poeta e divulgador de poesia