23.6.20

Concurso "Uma Aventura Literária 2020" - Menção Honrosa para Diana Barreto

Ao texto "O misterioso armário", de Diana Barreto foi atribuída Menção Honrosa no concurso "Uma Aventura Literária 2020", promovido pela Editorial Caminho, na modalidade "Texto Original".
Muitos parabéns, Diana, pela tua capacidade de trabalho ao longo destes anos que tive o prazer de ter a tua participação na Oficina da Escrita. Espero que continues o teu percurso de sucesso.



Deliciem-se com as palavras e a criatividade reveladas pela Diana no seu texto

  "O misterioso armário".

 Tudo começou num dia que estava na Oficina da Escrita da minha escola perante uma folha de papel branco e caneta na mão. O desafio era escrever um texto original para participar no concurso “Uma Aventura Literária”. A professora sugeriu que escrevêssemos sobre algum episódio do dia a dia, mas com pinceladas de imaginação, de criatividade e de fantasia.
Só tinha cinquenta minutos para o fazer. Tinha de ma apressar, contudo, por muito que me esforçasse, nada me surgia na cabeça. Dei por mim a olhar para o relógio a ver os ponteiros a girar enquanto esperava que alguma ideia aparecesse. A professora, ao notar a minha falta de criatividade, abandonou a sala para “trazer inspiração”.
Estava, então, sozinha sem nada nem ninguém ao meu redor. A minha ausência de ideias deve ter afetado o meu cérebro, pois comecei a ouvir passos naquela sala solitária. Olhei para um lado…olhei para o outro, mas, naturalmente, nada vi. Ri para mim mesma até ouvir a porta do armário a abrir-se e a sair de lá um homem velho, barbudo e com ar sábio. Ele perguntou-me se eu estava sem criatividade e eu, surpreendida, acenei afirmativamente com a cabeça. Ao ver esta minha resposta, convidou-me para entrar no armário. Esquecendo-me que estava na Oficina, aceitei entrar com ele.
Lá dentro, incrivelmente, havia um mundo cheio de cores, aromas, paisagens e pessoas. O amarelo de um sol radioso brilhava num azul limpo do céu; o campo verde de relva estava pintalgado com flores brancas e amarelas que eram beijadas por borboletas arroxeadas, rosadas e alaranjadas; junto à relva, passava um ribeiro de água cristalina, onde saltavam peixes vermelhos. Quanto aos aromas, o perfume da alfazema misturava-se com o da glicínia, do jasmim-do-imperador, do jasmim-estrela e o da terra molhada. De um lado escutava “Buzzz…Buzzz”, mais adiante “Coach…coach”, junto ao ribeiro, “Quac…quac” e mesmo perto de mim “cricri…cricri”. Até as pessoas, cada uma com as suas características, umas alegres, outras sisudas; umas com andar pausado, outras apressadas; umas solitárias, outras rodeadas de amigos…
Fiquei encantada a contemplar a diversidade de energias existentes dentro do armário. Apressei-me a anotar tudo no bloco que a professora nos tinha oferecido no início do ano para registarmos ideias, escrevermos listas de palavras do que víamos, ouvíamos ou sentíamos.
Porém, o senhor não me deixou ficar naquele sítio muito tempo. Em vez disso, conduziu-me para uma árvore de folhas amarelas, tronco e ramos grossos. Com agilidade, trepou-a até um dos ramos mais alto. Quando reparou que eu não estava junto dele, convidou-me a segui-lo. Fiquei a olhar para ele hesitante, mas ele lançou uma corda forte para que eu não estivesse tão receosa na subida. Agarrei nela e subi à árvore mais facilmente do que imaginara.
Assim que o alcancei, sentei-me à sua frente. O velho senhor estendeu-me uma das folhas da árvore. Depois pediu-me que eu a amachucasse e a agarrasse com as duas mãos. Ao fazê-lo, uma imensidão de ideias e imagens surgiram na minha cabeça. A cada segundo, surgiam mais e mais e todas elas ficavam guardadas na minha memória.
Não sei ao certo durante quanto tempo ali fiquei sentada à frente de um sábio no cimo de uma árvore. Só sei que, quando recuperei a noção do tempo e do espaço, estava sentada na sala da Oficina da Escrita a olhar para o armário.
Poucos segundos depois, entrou a professora carregada de livros:
- Diana, trouxe alguns livros bastante sugestivos. Se quiseres, esta semana pode ser de leitura e na próxima escreves, então, o texto. Que te parece?
- Não é preciso, professora!

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